Bitcoin nas exchanges cai ao menor nível desde novembro de 2018

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A quantidade de Bitcoin guardada em exchanges centralizadas (CEXes) caiu abaixo de 2,708 milhões de BTC — o nível mais baixo desde novembro de 2018, segundo dados da CryptoQuant divulgados nesta semana. No pico do último ciclo de alta, entre 2020 e 2022, esse número chegou a ultrapassar 3,5 milhões de BTC.

Bitcoins estão sendo retirados das exchanges em ritmo acelerado. E isso pode ser uma boa notícia.

O que os números revelam

Os dados da CryptoQuant mostram que, durante anos, as reservas nas exchanges e o preço do Bitcoin andavam em direções similares. Quando o preço subia, as reservas também cresciam — mais gente depositava BTC nas plataformas, seja para vender na alta, seja para operar.

Esse padrão mudou de forma estrutural a partir de 2022. Desde então, as reservas têm caído de forma quase ininterrupta, mesmo enquanto o preço subiu de US$ 16 mil nos fundos do mercado de baixa até bater US$ 100 mil no final de 2025.

O detalhe mais significativo do momento atual: o Bitcoin recuou de ~US$ 100 mil para a faixa de US$ 70 mil nas últimas semanas — uma correção relevante — e as reservas continuaram caindo mesmo assim.

Em ciclos anteriores, correções de preço costumavam ser acompanhadas por aumento de reservas, pois os detentores depositavam BTC nas exchanges para vender. Dessa vez, não.

Quem tem Bitcoin está segurando. E está segurando fora das exchanges.

O que pode ter mudado

Dois fatores de mercado ajudam a explicar grande parte dessa drenagem de BTC das exchanges.

O primeiro são os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, aprovados no início de 2024. Os fundos da BlackRock, Fidelity e outros acumularam dezenas de bilhares de dólares em BTC em questão de meses. Esses bitcoins são comprados no mercado e custodiados fora das exchanges de varejo — eles saem da oferta disponível e vão para os “cofres” institucionais.

O segundo são as tesourarias corporativas, lideradas pela Strategy (antiga MicroStrategy), que acumula BTC de forma agressiva e contínua em seu balanço. Cada compra institucional desse tipo é BTC que sai da circulação imediata das exchanges e entra em custódia de longo prazo.

Mas não é só o lado institucional. A tendência de usuários individuais retirando BTC das exchanges e guardando em carteiras próprias também contribui para esse movimento. É o princípio básico que o setor repete há anos: not your keys, not your coins. Quem de fato acredita no Bitcoin como reserva de valor não o deixa na exchange.

Se você quiser aprender a fazer a autocustódia das suas moedas, veja nossa página de ferramentas soberanas para ler os tutoriais disponíveis na Soberano.

O que isso significa para o preço

Menos BTC disponível nas exchanges significa menos oferta imediata para venda. Se a demanda se mantiver — ou aumentar — em um cenário de oferta comprimida, o resultado tende a ser pressão de alta no preço. É o que analistas chamam de supply shock: escassez de ativo disponível para compra.

Não é uma garantia de alta. Preço depende de múltiplos fatores, e o mercado está atravessando um momento de incerteza significativa — a correção dos últimos meses reflete isso. Mas o dado on-chain das reservas é um dos indicadores estruturais mais observados por quem analisa Bitcoin com profundidade, justamente porque ele mede comportamento real dos detentores, não sentimento ou especulação.

E o comportamento atual dos detentores diz: estou ficando com o meu Bitcoin, e não estou deixando na exchange.

Se você quiser aprender mais sobre como analisar os dados on-chain para investir com mais consciência, leia o artigo “Como usar ferramentas de análise on-chain para saber quando comprar Bitcoin“.

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