Bitcoin só parece inútil para quem não precisa dele ainda

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O empreendedor e investidor de tecnologia Daniel Batten publicou no X uma confissão: “Eu costumava achar que Bitcoin era só um ativo especulativo. Até onde eu podia ver, não servia para nada de verdade.”

É uma posição que ele mesmo reconhece ter sido fruto de ignorância e falta de empatia. “Simplesmente não conseguia enxergar o que o Bitcoin oferecia a pessoas cujas circunstâncias não se pareciam em nada com as minhas”, escreveu.

A tese central de Batten é que, ao contrário do smartphone e da internet, que chegaram primeiro ao Ocidente e depois ao resto do mundo, o Bitcoin inverte essa ordem. Ele beneficia o Sul Global primeiro e o Ocidente por último. E é exatamente essa inversão que explica por que tantos no Ocidente olham para o Bitcoin e não veem nada — porque ainda não precisam dele.

Os números que sustentam o argumento

Para ilustrar quem são as pessoas que já precisam do Bitcoin hoje, Batten recorre a dados globais. O analista on-chain Willy Woo estima que 350 milhões de pessoas já usam Bitcoin, com adoção crescendo rapidamente.

O contexto em que vivem explica o porquê: 1,2 bilhão de pessoas não têm acesso a banco — 57% delas são mulheres e 90% são pessoas negras ou pardas. Quatro bilhões vivem sob regimes autocráticos ou semi-autocráticos, onde governos podem congelar contas, rastrear gastos e silenciar dissidência pelo sistema financeiro.

Mais de 300 milhões vivem em economias com hiperinflação, como Turquia, Líbano, Argentina e Venezuela. No Afeganistão, 8,1 milhões de mulheres adultas são legalmente proibidas de abrir conta bancária, montar um negócio ou ter renda.

“Essas são as pessoas que enxergam a utilidade do Bitcoin primeiro”, escreve Batten. “Não nós, no Ocidente, que tomamos como garantidos um sistema bancário estável, inflação baixa e acesso financeiro básico.”

O que o Bitcoin oferece a cada grupo

Para os desbancarizados, Batten argumenta que o Bitcoin elimina a necessidade de uma instituição financeira por completo. Um celular básico e um pouco de conhecimento já são suficientes para receber, guardar e fazer pagamentos.

É por isso, diz ele, que a África está adotando Bitcoin mais rápido do que qualquer outro continente: comunidades que nunca tiveram acesso a banco estão indo diretamente para dinheiro nativo da internet.

Para quem vive sob regimes autoritários, o Bitcoin permite transações sem vigilância governamental e sem o risco de ter os fundos bloqueados. Batten cita a Nigéria como exemplo, onde o ativismo de direitos humanos é um dos principais motores da adoção.

Para mulheres no Afeganistão, carteiras Lightning oferecem independência financeira que a lei nega. Para quem enfrenta hiperinflação, o Bitcoin é uma forma de preservar poupança que, de outra forma, perderia metade do valor em um ano.

O padrão nos países que mais adotam

Batten fecha o argumento com uma observação sobre os dez países com maior adoção de Bitcoin: os dois primeiros têm hiperinflação; sete dos oito primeiros foram colonizados e carregam dívidas pesadas com FMI ou Banco Mundial; oito dos dez são regimes autocráticos ou semi-autocráticos; sete dos dez estão na África, América Latina ou Sudeste Asiático.

top 10 países em adoção do Bitcoin
Top 10 países em adoção do Bitcoin | Fonte: @DSBatten no X

Para mais da metade da população mundial, o Bitcoin é a tecnologia mais útil de uma geração“, conclui Batten.

Não é surpresa que o Brasil — com moedas historicamente instáveis, juros altos e um Estado que avança cada vez mais sobre a privacidade financeira dos cidadãos — está entre os 10 países com mais usuários da moeda descentralizada.

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