Fundadores do Facebook e bilionários continuam acumulando bitcoins na queda, o que eles sabem que não sabemos?
Enquanto quase metade de todo o Bitcoin em circulação está no prejuízo e analistas projetam novas quedas abaixo dos US$ 50.000, uma seleta classe de bilionários do Vale do Silício e da política americana segue comprando. Uma coincidência? Ou uma leitura de longo prazo que o mercado de varejo ainda não enxerga?
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O Bitcoin opera hoje em torno de US$ 66.500, quase metade do pico histórico de US$ 126.000 registrado em outubro de 2025. Para a maioria dos investidores de varejo, esse é um momento de angústia, perguntas sem resposta e, em muitos casos, de venda por desespero. Para um grupo de bilionários com histórico comprovado de apostar certo no futuro da tecnologia, é hora de comprar mais.
O paradoxo é evidente e merece análise cuidadosa. Quem são esses nomes, por que continuam acumulando em meio a um dos momentos de maior estresse do mercado cripto e, mais importante: o que eles enxergam que o investidor comum ainda não vê?
O cenário de pressão: dados que assustam o mercado
47%
BTC em circulação no prejuízo
9,4M
Bitcoins com perda não realizada
−47%
Abaixo do topo histórico (US$ 126K)
7.000
BTC acumulados pela American Bitcoin
Antes de entender o comportamento dos grandes acumuladores, é preciso dimensionar a gravidade do momento. A plataforma de pesquisa CEX.io divulgou um relatório que deixa pouco espaço para otimismo superficial.
Segundo o levantamento, aproximadamente 9,4 milhões de Bitcoin — o equivalente a 47% de toda a oferta em circulação — estão sendo mantidos com perdas não realizadas. Mais preocupante: mais de 30% do Bitcoin mantido por detentores de longo prazo, aqueles que seguram o ativo por mais de 155 dias, também está submerso, totalizando algo em torno de US$ 304 bilhões em perdas latentes. Esse é o maior percentual de holders de longo prazo no prejuízo desde 2023.
O índice chegou ao nível “alto impacto”, sinalizando estresse elevado entre detentores e instituições. Historicamente, leituras similares antecederam as quedas de meados de 2018 e meados de 2022. Analistas alertam que um recuo adicional de 25% poderia empurrar o BTC abaixo dos US$ 50.000 — faixa que outras firmas apontam como potencial fundo de mercado baixista.
É exatamente nesse ambiente de sangria que os bilionários estão colocando mais dinheiro para trabalhar. E não são nomes quaisquer.
A família Trump e a American Bitcoin: comprar enquanto o estoque sangra
A American Bitcoin Corp (ABTC), mineradora fundada pelos filhos do presidente americano Donald Trump, é o caso mais recente e simbólico de acumulação na queda. A empresa, listada na Nasdaq, ultrapassou a marca de 7.000 BTC em seu tesouro — aproximadamente US$ 471 milhões em valor atual — mesmo com suas ações derretendo quase 88% desde a estreia na bolsa em maio de 2025.
O papel chegou a ser negociado a US$ 14,52 no primeiro dia de pregão; hoje oscila perto de US$ 0,81. A firma registrou prejuízo líquido superior a US$ 59 milhões no quarto trimestre de 2024. E ainda assim a máquina de compra de Bitcoin não parou.
A máquina de acumulação está rodando a pleno vapor — minerando com desconto mais compras disciplinadas. Nenhuma empresa está escalando o ranking mais rápido. — Eric Trump, vice-presidente executivo da The Trump Organization
A estratégia espelha o modelo popularizado pela MicroStrategy de Michael Saylor: tratar Bitcoin como ativo de reserva de longo prazo, ignorar a volatilidade de curto prazo e medir o sucesso pelo crescimento do estoque de BTC por ação — não pelo preço da ação em si. A American Bitcoin mais que dobrou seu índice de satoshis por ação desde o IPO e hoje ocupa o 16º lugar entre as maiores detentoras corporativas de Bitcoin do mundo.
Os gêmeos Winklevoss: de adversários do Facebook a baluartes do Bitcoin
Cameron e Tyler Winklevoss ficaram famosos pela disputa legal com Mark Zuckerberg pela autoria do Facebook — e usaram parte dos recursos do acordo para entrar cedo no ecossistema Bitcoin. Os dois são conhecidos por deter aproximadamente 70.000 BTC e fundaram a exchange Gemini, hoje uma das plataformas reguladas mais relevantes dos Estados Unidos.
Eles constroem infraestrutura sobre a qual o restante do mercado opera: custódia, liquidez, produtos regulados. Para eles, uma queda do Bitcoin é, ao mesmo tempo, uma oportunidade de acúmulo pessoal e de expansão do negócio principal — com concorrentes mais fracos saindo do mercado.
Por que os fundadores do Facebook e do Twitter apostam em Bitcoin?
A conexão com o Facebook vai além dos Winklevoss. Mark Zuckerberg tentou lançar sua própria moeda digital, a Libra (depois Diem), que foi bloqueada por reguladores globais em 2022. O episódio demonstrou, na prática, que construir dinheiro digital privado é politicamente inviável — e que o Bitcoin, como rede neutra e sem dono central, ocupa um espaço que nenhuma big tech conseguiu replicar.
Jack Dorsey, co-fundador do Twitter e CEO do Square (hoje Block), talvez seja o caso mais radical entre os fundadores de grandes plataformas de tecnologia. Ele não apenas investe pessoalmente em Bitcoin — sua empresa Block mantém compras regulares de BTC para seu balanço e constrói infraestrutura de hardware e software para facilitar o acesso ao ativo. Dorsey fez uma previsão pública: Bitcoin pode chegar a US$ 1 milhão até 2030.
💡 A lógica de Dorsey
Para Dorsey, Bitcoin não é um trade especulativo — é uma infraestrutura monetária aberta, equivalente ao que o protocolo de internet foi para a comunicação. Comprar na queda, nesse contexto, é o equivalente a adquirir servidores quando o mercado de tecnologia estava em colapso nos anos 2000.
Peter Thiel e o ecossistema oculto: Polymarket, Paxos e o Founders Fund
O caso de Peter Thiel, cofundador do PayPal, primeiro investidor externo do Facebook e fundador do Founders Fund, é o mais sofisticado do grupo, porque sua exposição ao mercado cripto vai muito além da posse direta de Bitcoin.
O portfólio do Founders Fund inclui duas apostas estratégicas que se beneficiam diretamente do crescimento do ecossistema de criptoativos: a Polymarket e a Paxos.
Em outras palavras, Thiel não precisa apostar diretamente se o Bitcoin vai subir ou cair. Quanto maior for o volume de negociações e interesse no mercado cripto — seja em alta, seja na volatilidade da baixa — mais valiosas se tornam as empresas de infraestrutura e os mercados de predição do seu portfólio. É uma exposição estrutural, não direcional.
“Enquanto o varejo debate se deve comprar ou vender Bitcoin, Thiel já ganhou — independentemente de qual for o resultado.” – aponta Lucca Soares, analista do Soberano.
O que eles sabem que nós não sabemos?
A pergunta do título não tem uma resposta única. Mas é possível identificar alguns elementos de raciocínio que esses bilionários compartilham e que raramente aparecem na narrativa do investidor de varejo.
1. Horizonte de tempo completamente diferente
Para um investidor que entrou no Bitcoin em 2024 e está olhando para a perda de 2026, a dor é real e imediata. Para quem comprou em 2015, 2017 ou mesmo 2020, a posição ainda está profundamente no lucro. A perspectiva de longo prazo transforma o que parece catastrófico para o varejo em uma oportunidade de custo médio bem-vinda.
2. Acesso a informação regulatória antes da divulgação pública
Bilionários com equipes jurídicas e lobistas em Washington têm acesso muito mais rápido às mudanças regulatórias em curso. A aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, o avanço da regulamentação cripto no Congresso e o posicionamento da SEC foram sinalizados meses antes de se tornarem manchetes para o grande público. Eles realmente sabem mais do que podemos imaginar.
3. Capacidade de suportar perdas temporárias — e usá-las a favor
Quando o Bitcoin cai 47% do topo, o investidor de varejo muitas vezes precisa vender para cobrir outras necessidades. O bilionário usa exatamente esse momento para comprar o que está sendo vendido. É a lógica do custo médio operando em escala industrial.
4. Bitcoin como proteção sistêmica, não apenas como investimento
Para quem acumulou riqueza em dólares, euros e ativos tradicionais, Bitcoin funciona como hedge contra uma eventual crise de confiança nos sistemas financeiros centralizados. É uma aposta de que o sistema atual tem fragilidades que o Bitcoin foi projetado para contornar.
Seria ingênuo apresentar esses movimentos de acumulação como um sinal inequívoco de alta iminente. O próprio relatório do CEX.io coloca na mesa a possibilidade de queda adicional de 25%, com o Bitcoin potencialmente rompendo o patamar de US$ 50.000.
Os bilionários que compram agora podem estar errados no timing. A American Bitcoin ainda opera no prejuízo, suas ações estão no menor nível desde o IPO e o mercado pode demorar meses — ou anos para validar a tese de acumulação. O histórico do Bitcoin inclui períodos prolongados de lateralização após grandes quedas.
A diferença entre eles e o investidor médio não é que eles são infalíveis. É que eles podem esperar e continuam comprando enquanto a maioria vende.
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