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O Hostplus, fundo de previdência complementar australiano com US$ 105 bilhões em ativos e 2,2 milhões de participantes, está avaliando oferecer Bitcoin e outros ativos digitais como opção de investimento, segundo reportagem da Bloomberg.
A iniciativa foi confirmada pelo diretor de investimentos do fundo, Sam Sicilia, e pode ser lançada já no próximo ano fiscal australiano, sujeita à aprovação regulatória.
A exposição seria oferecida exclusivamente pelo Choiceplus, a plataforma de autogestão do fundo que permite a membros gerenciar uma fração de sua aposentadoria de forma independente. Hoje, o Choiceplus representa cerca de 1% do total de ativos do Hostplus.
“Há claramente uma demanda de alguns de nossos membros, que nos escrevem perguntando por que não podem ter acesso a criptomoedas“, disse Sicilia à Bloomberg. O fundo atende uma base de membros com idade média entre 30 e poucos anos, o que explica parte do interesse.
A avaliação não se limita ao Bitcoin. Sicilia indicou que o Hostplus está analisando um espectro mais amplo de ativos digitais, incluindo exposição tokenizada a classes alternativas como direitos de música.
A posição representa uma mudança significativa em relação à avaliação feita pelo fundo há cerca de dez anos, quando a conclusão foi de que cripto ainda não tinha lugar num portfólio de previdência.
O que mudou desde então: o surgimento de ETFs de Bitcoin à vista regulados em mercados globais, a maturação da infraestrutura de custódia e o avanço do quadro regulatório australiano. A ASIC, reguladora de valores mobiliários do país, está relaxando regras para stablecoins e tokens lastreados, o que pode facilitar a participação de fundos de pensão no setor.
Sicilia foi claro sobre a posição do fundo em relação ao timing: “Gostaríamos de ter o aval regulatório, mesmo que isso signifique esperar mais seis meses. Somos investidores de longo prazo. Seis meses não movem o ponteiro para nós.”
A Austrália tem um mercado de previdência complementar de aproximadamente A$ 4,5 trilhões — um dos maiores do mundo em proporção ao PIB. Até agora, a maior parte dos fundos manteve postura conservadora em relação a ativos digitais.
A AMP foi a primeira grande superfund australiana a investir em cripto, aportando cerca de US$ 27 milhões em futuros de Bitcoin em maio de 2024, algo em torno de 0,05% de seus ativos. Após a queda do mercado no início de 2026, a AMP reduziu sua exposição a aproximadamente 0,02%.
“Tivemos essencialmente nenhuma exposição durante a maior parte da recente queda”, disse Stuart Eliot, responsável pelo design de portfólio da AMP.
A experiência da AMP mostra o principal obstáculo para fundos de pensão: a volatilidade de curto prazo se choca diretamente com o horizonte de longo prazo da previdência. Por isso o Hostplus optou pela rota do Choiceplus, que coloca a decisão de exposição nas mãos do próprio membro, e não como alocação padrão para todos.
Enquanto os fundos institucionais pesam seus movimentos, o mercado de fundos autogeridos (SMSFs) já avançou: os registros de SMSFs na exchange BTC Markets cresceram 69% ano a ano no ano fiscal 2024-2025. Um terço dos australianos já possui algum ativo digital, segundo dados do IRCI de 2026.
Se o Hostplus concluir seu processo e lançar o produto, será o maior fundo de previdência do país a oferecer acesso direto a cripto para seus membros, e possivelmente um sinal para o restante do setor.