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Na quarta-feira, Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, compareceu ao Senado para defender o orçamento do Departamento do Tesouro para o ano fiscal de 2027. O que poderia ser uma audiência rotineira sobre números tornou-se mais relevante quando Bessent usou o espaço para pressionar publicamente pelo avanço da legislação de mercado de criptoativos — parada no Congresso há meses.
“Quando os EUA lideram as melhores práticas, segurança e solidez no mundo financeiro — seja nosso sistema bancário, nossos títulos, ou agora os ativos digitais — é importante que os EUA liderem”, disse Bessent ao painel.
O argumento foi desenvolvido em duas frentes. A primeira é geopolítica e monetária: liderança americana em ativos digitais, na visão de Bessent, reforça a primazia do dólar como moeda de reserva global.
A segunda é regulatória: trazer o mercado cripto para dentro de frameworks americanos de anti-lavagem de dinheiro (AML) e know-your-customer (KYC) seria, segundo ele, uma forma de elevar os padrões globais.
“Nossas melhores práticas emanarão para o resto do mundo porque o que aconteceu é que os ativos digitais estavam em lugares escuros e não regulados, e eles virão para os EUA”, afirmou.
Para o usuário consciente da sua privacidade, não é algo para comemorar.
A legislação de mercado de criptoativos nos EUA existe em duas versões incompatíveis que precisam ser conciliadas antes de chegar à mesa do presidente.
A Câmara aprovou o CLARITY Act — Digital Asset Market Clarity Act — em julho de 2025, por 294 votos a 134, uma margem ampla e bipartidária. O projeto foi encaminhado ao Comitê Bancário do Senado em setembro, onde parou. O comitê ainda não agendou sua votação, tendo priorizado legislação habitacional.
Enquanto isso, o Comitê de Agricultura do Senado avançou com sua própria versão, o Digital Commodity Intermediaries Act, em janeiro de 2026, numa votação de 12 a 11 estritamente partidária — sem votos democratas. Esse projeto expandiria a autoridade da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) para regular mercados à vista de commodities digitais.
A divisão entre os dois projetos reflete uma disputa mais profunda sobre quem regula o quê: a SEC, historicamente responsável por títulos, ou a CFTC, responsável por commodities. Bitcoin é geralmente tratado como commodity. Ethereum e a maioria dos outros tokens vivem numa zona cinzenta que a ausência de legislação mantém indefinida.
Bessent sinalizou otimismo cauteloso sobre reconciliação bipartidária, dizendo que acredita que questões pendentes — incluindo composição e recursos da CFTC — podem ser resolvidas. “Muito, muito importante”, disse sobre o acordo entre os partidos.
A declaração de um Secretário do Tesouro numa audiência orçamentária tem peso político diferente de um tweet ou artigo de opinião. Em 8 de abril, Bessent publicado um artigo no Wall Street Journal alertando que a falta de clareza regulatória estava empurrando o desenvolvimento de cripto para Abu Dhabi e Singapura. A audiência de quarta-feira foi a extensão pública dessa pressão, desta vez diante dos senadores que controlam o cronograma legislativo.
O Tesouro também pediu US$ 1,8 milhão adicional especificamente para implementar o Ley GENIUS — a lei de regulação de stablecoins aprovada em julho de 2025 — sinalizando que a estrutura regulatória está sendo construída camada por camada, com ou sem uma lei abrangente de mercado.
A narrativa oficial apresenta regulação cripto americana como proteção ao investidor e combate à lavagem de dinheiro. O que o argumento de Bessent deixa mais claro é a motivação real: manter o dólar como moeda de reserva global numa era de ativos digitais.
Stablecoins lastreadas em dólar — USDT, USDC — já processam volumes maiores que Visa e Mastercard combinados. Se esse volume crescer sob regulação americana, ele fortalece a demanda global por dólares e mantém o sistema de pagamentos internacional sob influência dos EUA. Se o desenvolvimento migrar para Emirados ou Singapura, essa influência se dilui.
É um argumento de poder, não de proteção. Compreender esse enquadramento é útil para qualquer pessoa que pensa sobre onde e como guardar valor — porque a regulação que vem pela frente foi desenhada para servir a esse objetivo, não necessariamente ao seu.