Antes de virar lei, novo imposto já expulsa bilionários da Califórnia

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O que Peter Thiel, David Sacks, Larry Page, Sergey Brin, Chamath Palihapitiya e Travis Kalanick têm em comum? Todos são famosos bilionários que estão falando sobre sair da Califórnia por possível novo imposto sobre patrimônio.

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Legisladores do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, discutem desde o final do ano passado sobre um novo imposto aos bilionários. Mas o efeito colateral da proposta chegou antes mesmo da aprovação da lei; os ricos estão arrumando as malas para ir embora.

O projeto, chamado de Billionaire Tax Act, prevê a taxação de 5% sobre grandes fortunas para residentes com patrimônio líquido de mais de US$ 1 bilhão.

O êxodo dos bilionários

Um corretor de imóveis de alto padrão relatou à Fox Business que vários dos seus clientes avaliam sair da Califórnia em antecipação à essa nova taxação. “Isso seria um imposto de US$ 5 bilhões para mim”, disse um dos clientes do Julian Johnston, corretor do The Corcoran Group.

Alguns dos nomes mais conhecidos que falam sobre deixar o estado incluem:

  • Larry Page e Sergey Brin: cofundadores do Google, moveram empresas para Delaware
  • Peter Thiel: cofundador do PayPal, transferiu seu family office Thiel Capital para Flórida
  • David Sacks: investidor de tecnologia, se mudou para o Texas e abriu uma filial lá
  • Chamath Palihapitiya: ex-Facebook, ainda não se mudou, mas vem criticando publicamente o imposto e sugeriu que poderia se juntar às centenas de bilhões em patrimônio que já saíram
  • Travis Kalanick: fundador da Uber, ainda não se sabe se já se mudou, mas foi citado comentando publicamente sobre a proposta e incentivando a saída de empresas

Enquanto isso, outros executivos vão na contra-mão da maioria, como o CEO da Nvidia Jensen Huang, que declarou ficar na Califórnia porque a infraestrutura do Vale do Silício e o ecossistema de talentos pesa mais que qualquer imposto. Mas será que os talentos suportarão qualquer imposto?

É possível que as saídas não sejam definitivas, e não necessariamente influenciadas apenas pela discussão de um novo imposto. A taxação de 5% pode ter sido apenas a gota d’água para alguns que já consideravam deixar o estado.

A proposta aguarda as próximas etapas legislativas e, possivelmente, consulta popular.

Os “quase bilionários” se antecipam e também se sentem expulsos

O receio do novo imposto não se limita aos bilionários consolidados. Fundadores de startups, investidores e empreendedores em estágios iniciais consideram deixar a Califórnia antes que suas empresas atinjam o primeiro bilhão.

O temor central é que o imposto sobre o patrimônio líquido, que considera ações, force os novos bilionários a venderem suas participações e afetem o controle sobre suas próprias empresas. Esse cenário tem levado muitos a rever planos de crescimento, captação de recursos e até o local de fundação de novos negócios.

Outro fator é que se começam a taxar os bilionários agora (e inclusive muitos vão embora), os milionários são os prováveis próximos alvos. Esse ambiente de medo e incerteza prejudica os empreendimentos em crescimento.

Como consequência, estados como Texas e Flórida surgem como alternativas mais atrativas, oferecendo ambientes regulatórios considerados mais estáveis.

Na ânsia de arrecadar mais, a Califórnia arrisca perder talentos e investidores, tudo aquilo que faz do Vale do Silício o polo global de tecnologia e empreendedorismo.

Não é de hoje que o estado americano “expulsa” a população mais rica. Desde 2013 contribuintes relevantes saem da Califórnia por aumento de impostos.

E não é como se o governo californiano pudesse se dar ao luxo de perder os mais ricos. O 1% mais rico paga cerca de 50% de todo o imposto de renda da Califórnia, o que torna a arrecadação extremamente sensível à saída desse grupo.

Expulsar os ricos também não é exclusividade da Califórnia. O Brasil segue o mesmo caminho.

Impostos no Brasil empurram empresas para o Paraguai

No Brasil, empresas de diferentes portes vêm adotando uma estratégia semelhante diante do aumento da carga tributária, da complexidade regulatória e da insegurança jurídica.

A resposta tem sido clara: mudar de endereço.

O Paraguai tornou-se o principal destino desse fluxo. O país oferece impostos significativamente menores, burocracia reduzida e um ambiente regulatório considerado mais previsível para quem produz, investe e gera empregos.

Com um imposto corporativo de apenas 10%, energia barata, impulsionada pela usina de Itaipu, e regimes simplificados para empresas exportadoras, o país passou a atrair indústrias, holdings, empresas de tecnologia e operações comerciais que antes estavam sediadas no Brasil.

Não se trata de casos isolados nem de pequenas empresas. Entre os exemplos mais emblemáticos de empresas brasileiras que transferiram operações para o Paraguai estão:

  • Guararapes (Riachuelo): produção no Paraguai via maquila.
  • Paquetá: grupo calçadista com parte da produção no país vizinho.
  • Dass: fábricas no Paraguai para marcas globais como Nike e Adidas.
  • Buddemeyer: base produtiva no Paraguai para o setor têxtil.
  • Ciser: operação industrial instalada no país.
  • Lupo: parte da produção transferida via regime de maquila.
  • JBS: expansão industrial no Paraguai com incentivos fiscais.
  • Fiasul: etapas produtivas deslocadas via maquila.
  • Estrela: produção no Paraguai mantendo marca e sede no Brasil.

Em comum, essas empresas apontam carga tributária menor, regras mais claras e maior previsibilidade como fatores decisivos. Assim como na Califórnia, o capital não desapareceapenas muda de jurisdição quando o custo de permanecer se torna excessivo.

O efeito colateral de políticas fiscais não é apenas simbólico, o aumento de custos arrisca afastar investimentos. Em casos mais extremos, por mais contraintuitivo que possa parecer, o aumento de impostos pode diminuir a receita do Estado.

O paralelo é direto. Enquanto governos apostam que contribuintes mais ricos “aguentarão pagar mais”, empresários fazem cálculos frios. E quando a equação deixa de fechar, a decisão não é política nem ideológica, é econômica.

O resultado, tanto no oeste americano quanto na América do Sul, é o mesmo: arrecadação mais instável, perda de competitividade e um ambiente cada vez menos atrativo para quem pretende crescer.

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