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A Bitwise anunciou nesta quarta-feira (4) a doação de US$ 233 mil (aproximadamente R$ 1,3 milhão) divididos entre três organizações sem fins lucrativos: Brink, OpenSats e o Bitcoin Development Fund da Human Rights Foundation.
Quando lançou o seu ETF de Bitcoin à vista em janeiro de 2024, a Bitwise fez uma promessa pública: destinar 10% dos lucros brutos anuais do BITB ao financiamento de desenvolvedores open source do Bitcoin, e esse pagamento recente faz parte do cumprimento dessa promessa.
No ano anterior, a doação havia sido de US$ 150 mil. O crescimento de 55% reflete o desempenho crescente do próprio fundo, que hoje acumula mais de US$ 2,7 bilhões sob gestão. Quanto maior o BITB, maior a contribuição — a regra dos 10% garante isso mecanicamente.
Antes de ser uma moeda digital, o Bitcoin é um protocolo de código aberto. Nenhuma empresa é dona dele, e por conta disso, ninguém é obrigado a mantê-lo.
Os desenvolvedores que revisam o código, identificam vulnerabilidades, debatem mudanças e garantem que a rede continue segura fazem isso, em grande parte, sem remuneração garantida. É trabalho técnico de alto nível, estruturalmente subfinanciado em relação ao tamanho da indústria que cresceu sobre o BTC.
As três organizações escolhidas para receber a doação da Bitwise são algumas das organizações que existem para mudar isso:
Vale notar que outras organizações também são fundamentais para o financiamento de desenvolvedores que se dedicam integralmente ou em meio período para manutenção e melhoria do Bitcoin. Spiral, Chaincode Labs, MIT Digital Currency Initiative, e até mesmo uma brasileira chamada de Vinteum são importantes nesse sentido, assim como outras.
O detalhe mais relevante não é o valor, é a regra. A Bitwise se comprometeu, desde o início, a repassar 10% dos lucros brutos do BITB. Isso transforma a contribuição de gesto voluntário esporádico em política estrutural: o crescimento do fundo financia automaticamente o ecossistema que o sustenta.
É uma lógica direta. ETFs de Bitcoin só existem porque existe um Bitcoin que funciona. E o Bitcoin funciona porque há pessoas trabalhando nele. Financiar esses desenvolvedores representa uma manutenção de infraestrutura, embora beneficie outras empresas e indivíduos do mesmo setor.
Levando isso em conta, a Bitwise não está agindo de forma desinteressada. Ela lucra com o Bitcoin e tem interesse direto em mantê-lo seguro e em desenvolvimento. Mas isso não diminui o gesto, pelo contrário. O que torna a iniciativa interessante é exatamente o fato de ser estrutural, transparente e previsível. E poderia ser um padrão a ser copiado.