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A TRM Labs publicou nesta semana seu índice trimestral de adoção global de cripto. O volume global de atividade cripto de varejo atingiu US$ 979 bilhões no Q1 2026, queda de 11% em relação ao Q1 2025 e o segundo trimestre consecutivo de contração — o pior desempenho de dois trimestres seguidos desde o bear market de 2022.
A queda é atribuída ao ambiente macro: incerteza sobre a política tarifária americana, dólar forte, juros reais elevados e o Bitcoin caindo 22% no trimestre, encerrando perto de US$ 68.000.
O destaque para os brasileiros está no ranking: o Brasil aparece em 5º lugar global, com US$ 40,4 bilhões em volume de varejo cripto no trimestre. Foi uma queda de 12% em relação ao Q1 2025 (US$ 45,7 bilhões), dentro da média global, mas a posição em si é expressiva — o Brasil superou Turquia (6ª, US$ 34,9 bilhões), Reino Unido (7º, US$ 34,6 bilhões) e Alemanha (10ª, US$ 25,3 bilhões).
O top 10 completo ficou: EUA (US$ 213 bilhões), Coreia do Sul (US$ 66,6 bilhões), Rússia (US$ 47,5 bilhões), Índia (US$ 46,2 bilhões), Brasil (US$ 40,4 bilhões), Turquia, Reino Unido, Vietnã, Ucrânia e Alemanha.

A TRM observa que mercados desenvolvidos com moeda estável e mercados de capital competitivos sofreram as maiores quedas: Coreia do Sul caiu 31%, Reino Unido 13%, Alemanha 20%. Nesses países, cripto compete com alternativas financeiras mais maduras, e o ambiente risk-off afasta especuladores rapidamente.
Mercados emergentes se comportaram diferente. A Índia caiu apenas 5%, o Brasil 12% — quedas contidas para um trimestre de estresse macro global. A TRM atribui isso a uma demanda diferente: onde a moeda local é instável ou há restrições de capital, cripto funciona como reserva de valor e acesso a dólares digitais — uma necessidade estrutural, menos sensível ao ciclo de liquidez global.
O caso mais revelador do relatório é a Venezuela, que subiu de 22º para 17º lugar com US$ 17,9 bilhões, mesmo durante a contração global. A impulsanadora principal é a stablecoin Tether: 90,2% das ordens abertas no livro P2P da Binance para o par VES (bolívar venezuelano) são denominadas em USDT. Bitcoin aparece em apenas 1,9% das listagens.
É a adoção cripto mais funcional documentada no relatório: dólares digitais sendo usados no lugar de uma moeda local inutilizável, em transações do dia a dia.
Um sinal ainda pequeno mas acelerado: stablecoins denominadas em euro cresceram 12 vezes em volume entre janeiro de 2025 e março de 2026, chegando a US$ 777 milhões por mês — menos de 0,3% do volume total, mas com trajetória ascendente clara. A TRM sugere que o crescimento reflete diversificação inicial da estrutura dolarizada num contexto de incerteza sobre a política comercial americana.