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A dificuldade de mineração do Bitcoin (BTC) recuou 10,09% no fim de semana, o 11º maior ajuste para baixo da história e o segundo maior de 2026, segundo relatório publicado pela Galaxy Research no dia 14.

Com a queda na dificuldade, os mineradores passam a obter cerca de 11% mais bitcoins por unidade de hash rate ativa. Ainda assim, com o BTC cotado na faixa dos US$ 65.000, a operação segue deficitária quando se consideram os custos de mineração.
A dificuldade de mineração é o indicador que mede o quão custoso é, computacionalmente, gerar um novo bloco e validar as transações da rede.
No protocolo do Bitcoin, novos blocos são projetados para surgir, em média, a cada dez minutos. Quando mais participantes entram na mineração e a capacidade de processamento total (hash rate) cresce, os blocos passam a ser criados em intervalos menores — e, para corrigir isso, o mecanismo eleva o nível de dificuldade.
A retração desta vez tem origem no encolhimento das margens dos mineradores: com a desvalorização do BTC desde o início de junho, parte das operações foi obrigada a desligar máquinas que deixaram de ser lucrativas.
Dois fatores estruturais ajudam a explicar a volatilidade — e ambos interessam a quem pensa em soberania energética e jurisdicional. Mas também há outros fatores importantes.
Primeiro, o Texas: a temporada do mecanismo 4CP (four-coincident-peak) começou em junho, e grandes consumidores da rede ERCOT evitam os quatro picos de verão que definem o custo de transmissão do ano seguinte. Como o Texas é um dos maiores polos de mineração da América do Norte, desligar nesses picos remove carga relevante da rede — sem que as máquinas tenham morrido de fato.
Segundo, a migração para IA: várias mineradoras de capital aberto estão desconectando rigs ou freando o crescimento para readaptar seus sites a contratos de IA/HPC, o que retira hash rate do Bitcoin mesmo com a capacidade elétrica seguir em uso. A energia que ontem garantia descentralização monetária hoje disputa espaço com data centers de inteligência artificial.
O Bitcoin reajusta a dificuldade automaticamente a cada 2.016 blocos. Esse intervalo é chamado de época (epoch) e corresponde, em condições normais, a cerca de 14 dias.
Como o desligamento de máquinas reduziu o ritmo de geração de blocos, a última época levou aproximadamente 15,6 dias — acima da meta de 14 dias. Foi justamente esse atraso que disparou a redução da dificuldade.
A rede já caminha para a normalização após o ajuste: o tempo médio de geração de blocos voltou à casa dos 10 minutos, e a estimativa preliminar do Hashrate Index aponta para um novo ajuste de cerca de -0,8% por volta de 27 de junho.
O hash price — a receita esperada por uma dada capacidade de processamento — também se beneficiou da queda na dificuldade: a remuneração por petahash voltou a US$ 33 ao dia.
Trata-se de uma recuperação a partir do patamar de cerca de US$ 28 a US$ 29 registrado no início do mês. Esse nível é geralmente visto como próximo do ponto de equilíbrio dos mineradores de custo mais alto.
Segundo o modelo de regressão de dificuldade da Checkonchain, o custo médio de produção de um bitcoin era estimado em cerca de US$ 84.300 em 13 de junho — bem acima do preço de mercado atual.
As mineradoras vêm acelerando a transição e a diversificação rumo a serviços de IA e HPC (computação de alto desempenho), movimento impulsionado pelo último halving e pela demanda crescente por capacidade computacional para inteligência artificial.
Caso essa tendência se intensifique, o crescimento geral da hash rate pode desacelerar. Ainda assim, os fatores de maior peso sobre a dificuldade continuam sendo a trajetória de preço do BTC e o ritmo de implantação de novos ASICs. Se o bitcoin voltar a subir, a dificuldade também tende a crescer, na medida em que as máquinas hoje desligadas forem reativadas.