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Fevereiro foi o primeiro mês com saldo negativo desde que o BitcoinTreasuries.net padronizou seus dados: empresas públicas adicionaram 7.800 BTC às suas tesourarias, mas desfizeram posições que somaram 8.600 BTC, resultando em uma variação líquida de -800 BTC.
A Strategy respondeu por 65% de toda a compra do mês (5.075 BTC), o que significa que, sem ela, o saldo negativo teria sido consideravelmente maior.
O número isolado daria margem para narrativas pessimistas. O relatório completo, publicado em 12 de março, conta uma história mais complexa.
Ao cruzar dados do Yahoo Finance, o BitcoinTreasuries identificou pelo menos US$ 2,1 bilhões em instrumentos de crédito digital em mãos de fundos mútuos e ETFs. Outros US$ 471 milhões estão em STRK, a ação preferencial da Strategy, com alguma sobreposição entre as categorias.
A lógica desse movimento é: em vez de comprar Bitcoin diretamente, fundos institucionais estão comprando instrumentos que financiam a compra de Bitcoin por terceiros — e recebendo um prêmio por isso. Cinco produtos de crédito digital (da Strategy e da Strive, que lançou o SATA) projetavam pagar US$ 435 milhões em dividendos até o fim de fevereiro.
O STRC, produto de taxa flutuante da Strategy, opera com spread de 7,6 pontos percentuais acima dos Treasury bills americanos de 3 meses. Três produtos de taxa fixa da empresa mantiveram estabilidade nas últimas três semanas de fevereiro contra os Treasuries de 10 anos.
Para o relatório, esse é o sinal mais importante: a arquitetura financeira da exposição corporativa ao Bitcoin está se aprofundando, independentemente da volatilidade nas compras diretas.
Desde o halving de abril de 2024, empresas com tesourarias em Bitcoin superaram a produção total de mineração em 54 das 94 semanas monitoradas — comprando, no período completo, cerca de 2,8 vezes o total de BTC minerado. A Strategy sozinha superou a produção em 29 das 67 semanas analisadas em janela mais recente, acumulando 1,8x o minerado no período.
O acumulado do primeiro trimestre de 2026, até 9 de março, já chegava a 62.000 BTC em adições líquidas — impulsionado principalmente pelas compras agressivas da Strategy em janeiro e início de março.
Um dos dados mais interessantes do relatório é o comportamento do mNAV (múltiplo sobre o NAV em Bitcoin) das empresas do setor. O indicador vem caindo em tendência de longo prazo, com várias empresas convergindo para 1,0x — ou seja, sendo precificadas próximo ao valor de mercado do Bitcoin que detêm, sem prêmio relevante.
A leitura pessimista seria: o mercado perdeu o entusiasmo. A leitura de Ryan Strauss, diretor-gerente do Bitcoin Consulting Group citado no relatório, é diferente:
“O mercado parece estar avaliando essas empresas mais com base em seus negócios subjacentes do que simplesmente pela exposição ao Bitcoin. A queda do mNAV pode não sinalizar fraqueza, mas sim uma normalização à medida que a exposição ao Bitcoin se torna um ativo mais amplamente disponível e precificado com eficiência.”
Em outras palavras: o prêmio especulativo está saindo, e o que fica é precificação mais racional. Para um setor ainda jovem, isso é maturidade.