“Não há Bitcoin suficiente para todos”, diz Michael Saylor

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Na quinta-feira, 5 de março, Michael Saylor, o CEO da Strategy, publicou um breve tweet que resume sua tese de investimento: “Não há Bitcoin suficiente para todos“.

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No dia seguinte, Samson Mow, CEO da Jan3 e ex-Blockstream, respondeu usando o ponto de vista matemático e da divisibilidade do Bitcoin. Se os 21 milhões de BTC fossem divididos igualmente entre cada pessoa do planeta, cada uma receberia aproximadamente 259.259 satoshis.

À primeira vista, isso parece contradizer Saylor: se o Bitcoin é divisível o suficiente para que todos tenham um pouco, por que dizer que não é suficiente?

Para entender o tweet de Saylor, é preciso olhar o contexto do mercado. Entre 2020 e 2023, o modelo de negócios do bilionário deixou de girar em torno de uma empresa tradicional de software de BI (Business Intelligence) e passou a se concentrar na acumulação agressiva de Bitcoin. A mudança foi tão profunda que a MicroStrategy chegou a alterar seu nome para Strategy, refletindo essa nova direção, e hoje é vista por muitos investidores quase como um ETF de BTC.

Desde então, muitas das suas declarações são direcionadas para impulsionar o mercado de Bitcoin, e destacar a escassez é uma forma de fazer isso. Mow certamente entendeu o ângulo de Saylor, mas apenas adicionou um importante contexto técnico ao tweet. Vamos entrar em mais detalhes a seguir.

O real problema não é a divisibilidade

Considerando o limite de 21 milhões de Bitcoin e mais de 9 bilhões de pessoas no mundo, não existem bitcoins suficientes para todos. No entanto, cada BTC é divisível em até 100 milhões de satoshis (similarmente aos centavos para o real), o que eliminaria esse problema.

De acordo com dados do Satoshis Per Person, que acompanha o cálculo em tempo real da oferta atual de BTC dividido pela população mundial, a fração ideal de Bitcoin por pessoa é cerca de 0,0021 BTC. O equivalente a US$ 144,75, ou R$ 758,49.

O problema não é divisibilidade. É concentração.

O que Saylor quer dizer, no fim das contas, é que a corrida pelo Bitcoin já começou, e quem não está acumulando agora vai encontrar menos disponível e mais caro no futuro.

Sua própria empresa detém hoje aproximadamente 3,5% de toda a oferta de Bitcoin que jamais existirá. Levando em conta os dados acima, só a Strategy já cobre a cota teórica de dezenas de milhões de pessoas.

E a Strategy não está sozinha.

Quem já está correndo atrás de acumular Bitcoin

Segundo os dados do Bitcoin Treasuries, 95% de todas as reservas corporativas em criptoativos são em Bitcoin. O movimento de tesourarias corporativas que começou com a Strategy em 2020 virou um fenômeno global: Metaplanet no Japão, Marathon Digital, Semler Scientific, e dezenas de outras empresas acumulando BTC em seus balanços de forma contínua.

Top 100 empresas com mais BTC em caixa
Top 100 empresas com mais BTC em caixa | Fonte: BitcoinTreasuries.net

No lado estatal, os números são ainda mais impressionantes. Os EUA detêm cerca de 198.000 BTC confiscados, agora custodiados permanentemente pela Strategic Bitcoin Reserve. A China tem estimados 190.000 BTC apreendidos. O Reino Unido, 61.000. O Cazaquistão, novidade desta semana, está a caminho de se tornar a 8ª maior reserva soberana de Bitcoin do mundo.

Some a isso os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, que em menos de dois anos de existência acumularam mais de 1 milhão de BTC em custódia. BlackRock, Fidelity, e outros gestores comprando e guardando BTC em nome de clientes institucionais.

O resultado prático de tudo isso: uma fatia cada vez maior do supply de Bitcoin está sendo retirada da circulação e trancada em cofres corporativos, governamentais e institucionais. O que sobra para o mercado aberto fica menor a cada ano.

E, embora estejamos em um mercado de baixa atualmente, é notável o crescimento da cotação do Bitcoin em janelas de tempo mais amplas. Nos últimos 3 anos, o preço do Bitcoin triplicou, mesmo considerando o recuo dos últimos meses.

A janela ainda está aberta, mas está fechando

O debate entre Mow e Saylor tem uma conclusão implícita que nenhum dos dois precisa dizer em voz alta: o tempo importa.

Cada BTC que entra no balanço da Strategy, de um ETF ou de uma reserva soberana é um BTC que sai da oferta disponível para o investidor individual. As reservas nas exchanges estão no menor nível desde novembro de 2018, algo que cobrimos aqui recentemente. A pressão de escassez está se construindo em câmera lenta, visível nos dados on-chain para quem quer ver.

A reflexão que este debate coloca para cada pessoa que lê isso é: você vai estar entre os que acumularam antes da corrida se intensificar, ou entre os que vão descobrir tarde demais que 259 mil sats custam mais do que imaginavam?


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