Epstein planned to create a “Russian Bitcoin” for Putin

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A liberação dos arquivos referentes ao caso do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein pelo governo americano revelou ligações do bilionário com projetos cripto e com o ditador russo Vladimir Putin.

Em uma publicação recente, o site de notícias Kyiv Independent reuniu todas as principais menções de Putin nos Arquivos Epstein. A principal delas se trata de um documento do FBI que cita Epstein como possível gestor de patrimônio de Putin, além de realizar o mesmo serviço para o ditador de Zimbábue na época, Robert Mugabe.

documento do FBI sugere que Epstein seria gestor de patrimônio de Putin

A matéria cita que o documento se trata de um formulário FD-1023, um padrão do FBI usado para registrar informações de fontes humanas confidenciais. “Ele reflete alegações não comprovadas feitas durante uma reunião em 2017 com agentes do FBI, e não conclusões verificadas.”

A fonte não revelada acusa o investidor de Wall Street de fazer sua fortuna cobrando taxas dos seus clientes para “esconder seu dinheiro offshore”. Embora existam especulações de que sua fortuna cresceu com golpes financeiros como a pirâmide Towers Financial, cujo próprio fundador Steven Hoffenberg afirmou que Epstein estaria envolvido, mas isso nunca foi judicialmente provado.

O que mais chamou atenção, porém, foi sua proposta para que a Rússia “reinvente o sistema financeiro do século XXI”. Epstein planejava apresentar suas supostas soluções revolucionárias para o atual presidente da Rússia, embora ainda seja incerto se ele chegou a se reunir com Putin para falar sobre isso ou não.

Uma “sofisticada versão russa do Bitcoin”

Também está presente nos Arquivos Epstein (que podem ser checados na íntegra em justice.gov/epstein) um email de 2014 onde Jeffrey tenta contato com Putin através de Thorbjorn Jagland, então secretário-geral do Conselho da Europa e ex-primeiro-ministro da Noruega, para explicar sua ideia de criar uma moeda digital russa.

proposta de versão russa do Bitcoin

“Você pode explicar para o Putin que deveria haver uma sofisticada versão russa do bitcoin. Seria o instrumento financeiro mais avançado disponível em uma base global.”, disse Epstein.

In outra troca de emails entre os dois, um ano antes, Epstein escreveu:

“Quando o Sputnik foi anunciado, o Ocidente foi pego de surpresa. O mesmo pode acontecer agora com a Rússia assumindo a liderança nas finanças. Em vez de competir com o Ocidente pela nanotecnologia, copiar o Vale do Silício, procurar startups, tentar alcançar a Microsoft, a Apple, o Google e outras empresas semelhantes, a Rússia pode sair na frente e ultrapassar a comunidade global reinventando o sistema financeiro do século XXI.”

email de Epstein

Ele acrescentou: “A Rússia é única na sua capacidade de executar uma grande visão. Uma nova forma de dinheiro, em escala mundial, é muito maior do que qualquer projeto único imaginado por qualquer governo e, em sua essência, não é realmente tão difícil de concretizar.”.

Ao que Jagland respondeu que não seria fácil para ele explicar isso para o Putin, e que Epstein deveria fazê-lo. “Meu trabalho é conseguir uma reunião com [Putin]”, disse.

Epstein dizendo que Putin estaria “numa posição única para fazer algo grandioso

Epstein finalizou dizendo que Putin estaria “numa posição única para fazer algo grandioso, como o Sputnik fez pela corrida espacial”. “Pode dizer-lhe que nós somos próximos e que eu aconselho [Bill] Gates. Isso é confidencial. Eu ficaria feliz em encontrá-lo, mas por um mínimo de duas a três horas, não menos do que isso.”, escreveu.

Criptomoeda dos BRICS?

Os arquivos também revelam trocas de mensagens entre Epstein e Sergei Belyakov, que foi vice-ministro da Economia da Rússia entre 2012 e 2014 e, na sequência, presidiu a Fundação do Fórum Econômico de São Petersburgo até 2015.

Belyakov é formado pela Academia do Serviço Federal de Segurança (FSB), instituição responsável pela formação de oficiais de inteligência russos.

Em 2014, ele auxiliou no pedido de visto russo de Epstein e articulava possíveis reuniões com o então vice-ministro das Finanças, Sergei Storchak, e com o vice-presidente do Banco Central, Alexei Simanovsky.

Em contrapartida, Epstein oferecia a Belyakov uma lista de convidados internacionais de alto nível para o fórum.

Nas conversas, o financista sugeriu que a Rússia criasse um banco capaz de emprestar “nove vezes suas reservas” e propôs ainda o lançamento de uma criptomoeda chamada BRIC, apresentada como alternativa ao Bitcoin.

BRIC coin para a Rússia

Por coincidência ou não, anos depois, por volta de 2022, o Estado russo passou a falar abertamente sobre a criação de uma moeda comum do bloco BRICS como uma forma de diminuir os impactos das sanções ocidentais.

Ideia essa que ganhou o apoio do presidente do Brasil, país membro do bloco. Em abril de 2023, durante visita oficial à China, outro país membro do BRICS, Lula declarou: “Por que não podemos fazer o comércio baseado em nossas próprias moedas? […] Quem decidiu que o dólar era a moeda padrão?”

Outras citações ao Bitcoin nos Arquivos Epstein e a “Sharia Coin”

Além das mensagens em que buscava se aproximar da Rússia, os arquivos liberados mostram que Jeffrey Epstein acompanhava o desenvolvimento do Bitcoin desde seus primeiros anos e buscava interlocução direta com nomes do setor.

Os documentos indicam que Epstein teve contato com desenvolvedores e empresários do ecossistema cripto ainda na primeira metade da década de 2010, período em que o Bitcoin era considerado um experimento de nicho.

Ainda em 2011, Epstein enviou um email para um contato censurado pelo Departamento de Justiça dos EUA dizendo que queria conversar com “os caras do bit coin (sic).

Em um email de 2014, Epstein deixou claro que suas ideias não eram relacionadas ao ethos do Bitcoin (soberania individual), mas sim crimes financeiros como financiamento ao terrorismo. “[Eu tenho] muitas [visões], 1) cumplicidade com lavagem de dinheiro. 2) transmitir dinheiro sem licença. 3) violações do Patriot Act (lei contra financiamento ao terrorismo)…”, escreveu ele.

atividades ilegais que Epstein planejava para o bitcoin

In outros momentos, Epstein discute com alguns nomes, incluindo Austin Hill (ex-CEO da Blockstream), sobre a possibilidade de criar a Sharia Coin, uma criptomoeda baseada nos princípios de Murabahah e Wadiah.

Na finança islâmica, juros, especulação excessiva e determinadas atividades — como álcool e jogos de azar — são considerados proibidos. Ou seja, a resistência à censura, aspecto fundamental do Bitcoin, seria incompatível com a Sharia Coin. Essa ideia teria sido apresentada a nomes ligados à Arábia Saudita e ao Qatar.

Por fim, não há evidências de que Epstein tenha tido papel relevante no desenvolvimento técnico do Bitcoin ou influência real sobre o setor, mas os arquivos deixam claro que ele acompanhava o tema e tinha ideias de criar moedas concorrentes ao BTC para apresentar a lideranças globais.

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