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Depois de uma queda de 19% que levou o Bitcoin abaixo dos US$ 70 mil, os dados de meados de março mostram um mercado em estabilização, mas ainda defensivo.
O relatório Bitcoin ChainCheck da VanEck, com dados da Glassnode até 13 de março, cruza futuros, opções, atividade on-chain e comportamento de mineradores para tentar identificar onde estamos no ciclo.
No mercado de opções, traders compram contratos de proteção contra quedas quando estão com medo. O nível dessa demanda por proteção atingiu, em proporção ao volume negociado, o maior patamar já registrado, superando inclusive o período após o colapso da Terra/Luna em 2022.
Nos últimos 30 dias, os traders pagaram US$ 685 milhões em prêmios para comprar puts. Isso significa que a maioria do mercado está correndo para se proteger de quedas, e poucos estão posicionados para uma alta. E é exatamente nesses momentos que as recuperações tendem a pegar o mercado de surpresa.
A VanEck cruzou esse nível de medo com o histórico dos últimos seis anos e encontrou que, nos períodos em que o mercado de opções estava tão assustado quanto agora, o Bitcoin retornou em média +13% nos 90 dias seguintes e +133% nos 360 dias seguintes. Ou seja, quando o mercado de opções fica extremamente defensivo, o Bitcoin historicamente tende a se recuperar.
No mercado de futuros, o open interest caiu 17% no período, indicando que as posições alavancadas em aberto estão diminuindo. Funding rates negativos indicam que posições vendidas estavam pagando para se manter abertas, o que também aponta para um mercado com posicionamento defensivo e potencial para short squeeze se a demanda spot se recuperar.
Um short squeeze acontece quando muita gente está apostando na queda de um ativo e o preço começa a subir. Quem estava vendido é forçado a comprar para cobrir a posição e limitar o prejuízo — e essas compras empurram o preço ainda mais para cima, acelerando a alta.
Os on-chain data do Bitcoin recuaram em praticamente todos os indicadores: volume de transferências caiu 31%, taxas totais de rede caíram 27%, endereços ativos diários caíram 5% e a taxa média por transação caiu 40%. O único indicador que subiu foi a contagem total de transações.
A VanEck é cuidadosa na análise desse dado. À medida que o Bitcoin se torna mais financializado, uma parcela crescente da atividade de trading acontece em ETFs, derivativos e exchanges centralizadas, sem gerar transações on-chain. Métricas tradicionais de rede podem estar capturando uma fatia cada vez menor da atividade real de mercado.
Um sinal potencialmente construtivo vem dos holders de longo prazo: o volume de transferências caiu em todas as faixas etárias de moedas, indicando que carteiras mais antigas estão gastando menos.
A participação do supply ativo de longo prazo recuou de 31% para 30% do total circulante. Menos distribuição por parte de holders experientes tende a sinalizar redução da pressão vendedora estrutural, indicou o relatório.
Para os mineradores de BTC, o momento é de cautela. A receita total dos mineradores caiu 11% no período, e as ações de empresas de mineração recuaram cerca de 7%. Apesar da piora econômica, as saídas de Bitcoin das carteiras de mineradores para exchanges subiram apenas 1% em BTC, sugerindo que a maioria está preservando reservas em vez de liquidar agressivamente.
O saldo agregado de mineradores (excluindo as carteiras atribuídas a Satoshi) está em aproximadamente 684.000 BTC, queda de apenas 0,5% em relação ao ano anterior. No mesmo período, cerca de 164.000 novos BTC foram minerados, o que implica que os mineradores essencialmente venderam toda a emissão nova para cobrir custos operacionais. Se o preço permanecer retraído, essa pressão pode aumentar.
Alguns movimentos estratégicos do setor merecem atenção: a Bitdeer vendeu toda a sua reserva em Bitcoin, enquanto Core Scientific e MARA sinalizaram planos de monetizar posições à medida que pivotam para infraestrutura de IA. A tese do Bitcoin como ativo de tesouraria corporativa coexiste, por ora, com uma pressão operacional real sobre os mineradores.