Análise da Wintermute descreve 3 cenários para o preço do Bitcoin nos próximos dias

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Na manhã de segunda-feira, 23 de março, o Bitcoin voltou a superar a marca de US$ 70 mil após o presidente Trump anunciar uma pausa de cinco dias nos ataques americanos à infraestrutura de energia iraniana, citando conversas diplomáticas em andamento.

A criptomoeda havia encerrado a semana anterior entre US$ 67.800 e US$ 68.500, pressionada pela decisão do Fed e pela escalada da crise no Golfo Pérsico.

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A análise da Wintermute, elaborada pelo trader OTC @Jjay_dm, concentra-se nos próximos dias e mapeia os três cenários principais para o preço do Bitcoin, com base na evolução da pausa anunciada e no vencimento de opções previsto para 27 de março (quando a “max pain” está concentrada em torno de US$ 70 mil).

Contexto da semana anterior: Fed e geopolítica dominam

O Bitcoin chegou a US$ 74 mil no meio da semana anterior, mas o movimento foi impulsionado por short squeeze e pressão de gamma no mercado de opções, sem influxo relevante de compras spot. O FOMC de 18 de março interrompeu o rali pela sétima vez em oito reuniões: os juros foram mantidos em 3,50–3,75%, com tom hawkish.

Dos 19 participantes, 14 projetam zero ou apenas um corte de juros até o fim de 2026, e a taxa mediana esperada ao final do ano é de 3,4%. Qualquer afrouxamento, segundo o Fed, exige “progresso claro e sustentado” na inflação. Com isso, o mercado praticamente eliminou cortes antes do outono americano.

Na sexta-feira, o quadro geopolítico agravou-se: o Iraque declarou force majeure em campos de petróleo operados por estrangeiros, drones atingiram refinarias no Kuwait, o Brent fechou acima de US$ 112 (maior patamar desde meados de 2022), o S&P 500 rompeu abaixo da média móvel de 200 dias pela primeira vez desde maio de 2025 e o yield do Tesouro de 10 anos subiu 13,5 pontos-base para cerca de 4,40%.

Bitcoin resiliente enquanto o ouro desabava

Diferentemente do ouro, que registrou a maior queda semanal desde 1983 (mais de 10%), com o dólar acima de 100 e chamadas de margem em cascata, o Bitcoin se manteve relativamente firme. Os fluxos acumulados dos ETFs de Bitcoin foram positivos na semana, mesmo com uma saída pontual de US$ 708 milhões no dia seguinte ao FOMC (maior volume diário em dois meses).

O Ethereum se destacou positivamente: seus ETFs registraram a maior entrada semanal da história (US$ 160,8 milhões). A Wintermute atribui isso à atratividade relativa do staking yield em um ambiente de juros elevados por mais tempo.

Os três cenários para o preço do Bitcoin

A pausa de cinco dias anunciada por Trump é o principal catalisador de curto prazo. A Wintermute delineia os seguintes cenários:

  1. De-escalada parcial: se o Brent se estabilizar próximo a US$ 100 e as conversas diplomáticas avançarem, os temores inflacionários ligados à energia diminuem. Isso pode fazer parte das expectativas de corte de juros eliminadas na semana anterior voltar ao mercado, reduzindo o vento contrário para ativos de risco. Nesse caso, o Bitcoin tem caminho para testar a resistência entre US$ 74 mil e US$ 76 mil — zona que já rejeitou o preço duas vezes recentemente.
  2. Ruptura das negociações: se as conversas fracassarem ou as restrições no Estreito de Ormuz persistirem, o prêmio de risco do petróleo se reconstrói. A inflação permanece elevada, as expectativas de corte de juros são adiadas ainda mais e os mercados voltam ao modo risk-off. O Bitcoin deve, então, retestar o suporte na faixa de US$ 60 mil a US$ 65 mil.
  3. Normalização sustentada do Estreito de Ormuz: uma de-escalada real, com retomada plena do tráfego pelo estreito, removeria o peso inflacionário, daria maior flexibilidade ao Fed e melhoraria o cenário macro para ativos de risco. Com as compras institucionais em dips continuando, a Wintermute considera realista um movimento do Bitcoin em direção a US$ 80 mil.

A análise da Wintermute reforça que, sem catalisador do Fed no curto prazo, o preço do Bitcoin nos próximos dias será definido principalmente pela evolução da geopolítica no Golfo e pela reação do mercado à pausa de cinco dias.

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