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A Karsten, empresa têxtil fundada em 1882 em Blumenau, inaugura no fim de março sua primeira unidade no Paraguai, operando pelo Regime de Maquila. A expansão visa o cenário mais favorável em questão de impostos e mão de obra.
“Seja pela política ou economia, o Paraguai se mostra um país extremamente estável. Ao longo da última década, não houve nenhum grande evento que comprometesse essa análise”, disse Márcio Luiz Bertoldi, CEO da Karsten, à CNN Brasil.
Além da estabilidade, a mão de obra também foi um relevante fator. Santa Catarina opera em situação de praticamente pleno emprego, e a Karsten chegou a ter quase 10% de suas vagas em aberto. No Paraguai, a população é mais jovem e o mercado de trabalho tem mais oferta.
Criado em 1997, o Regime de Maquila é um sistema tributário especial voltado a empresas estrangeiras que se instalam no Paraguai para exportar.
As condições são excepcionalmente simples:
Para setores que importam insumos da Ásia — como poliéster para a indústria têxtil — o modelo é especialmente vantajoso. A matéria-prima entra no Paraguai sem tributação aduaneira, e o único imposto relevante incide no momento da exportação do produto final.
As exportações das empresas no regime bateram recorde em 2025: US$ 1,309 bilhão, crescimento de 13,8% em relação a 2024 e de 135% desde a pandemia, segundo o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai.
A Karsten é a mais nova, mas está longe de ser pioneira. Mais de 200 indústrias brasileiras já operam no Paraguai, concentradas principalmente em Ciudad del Este, no departamento de Alto Paraná, que se consolidou como polo estratégico para cadeias produtivas voltadas ao Mercosul. Os setores predominantes incluem têxtil, calçados, alimentos e componentes eletrônicos.
A decisão de cruzar a fronteira raramente é sobre fugir do Brasil, mas sobre competitividade. Com o Custo Brasil corroendo margens, a complexidade tributária trazendo problemas administrativos e o mercado de trabalho pressionado em estados mais industrializados, o Paraguai aparece como alternativa viável para expandir capacidade sem assumir os custos de uma nova planta no Brasil.
Em 2024, o regime empregava quase 30.000 trabalhadores paraguaios diretamente. O Brasil figura entre os principais destinos das exportações produzidas nessas fábricas, o que revela uma integração produtiva crescente: o mesmo grupo econômico que produz no Paraguai muitas vezes vende no Brasil.
Uma pergunta natural para qualquer empreendedor que enxerga esse movimento é “será que operar no Paraguai faria sentido para o meu negócio?”, e a resposta é: depende do modelo de operação, mas para muitos setores o cálculo é favorável.
O Regime de Maquila é voltado a empresas que produzem para exportar. Mas o Paraguai tem outras estruturas igualmente atrativas para quem presta serviços, opera digitalmente ou quer apenas uma empresa mais leve do ponto de vista tributário e burocrático.
O imposto de renda corporativo padrão é de 10% — metade do que se paga no Brasil na melhor das hipóteses — e a estrutura regulatória é significativamente mais simples.

O custo de manter uma operação no Brasil vai além da alíquota do imposto de renda. Encargos trabalhistas, complexidade tributária, custo de contadores e advogados para navegar a burocracia, e o tempo que o empresário gasta nisso tudo. A Soberano fez essa conta e os resultados são mais impactantes do que a maioria imagina.
Para quem quer entender como funciona na prática o processo de constituição, os custos envolvidos, as estruturas disponíveis e o que mais é exigido, publicamos um guia passo a passo sobre como abrir uma empresa no Paraguai com todas as informações para começar a avaliação.