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A Tether announced nesta segunda-feira o lançamento da tether.wallet, uma carteira de autocustódia que suporta USDT(dólar digital global da Tether), USAT (versão americana do dólar digital da Tether), XAUT (ouro tokenizado) e Bitcoin — tanto on-chain quanto via Lightning Network.
A carteira vem para facilitar o uso da stablecoin para usuários leigos em criptomoedas. Com a tether.wallet, usuários podem enviar ativos usando um identificador legível como nome@tether.me, sem precisar copiar e colar endereços de carteira. Para os brasileiros, seria algo bem próximo da experiência de enviar um Pix com o email sendo a chave de escolha.
As taxas de rede são pagas no próprio ativo transferido, sem necessidade de manter tokens de gás separados — um dos problemas mais comuns para usuários não técnicos que tentam usar stablecoins em redes como Ethereum ou Polygon. No lançamento, o suporte inclui Ethereum, Polygon, Plasma, Arbitrum e Bitcoin, mas outras redes serão adicionadas em breve, promete a empresa.
A Tether afirma que sua tecnologia já é usada por mais de 570 milhões de pessoas globalmente, com dezenas de milhões de novas carteiras criadas por trimestre. Paolo Ardoino, CEO da empresa, descreveu o lançamento como a evolução natural do papel da Tether: de camada de infraestrutura para produto diretamente acessível ao usuário final.
O ponto mais importante do comunicado é a arquitetura. A tether.wallet é construída sobre o WDK (Wallet Development Kit), kit de desenvolvimento open-source da própria Tether que permite a qualquer pessoa, máquina ou agente de IA construir carteiras autocustodiais. As chaves privadas e frases de recuperação ficam guardadas apenas no dispositivo do usuário.
Vale notar que a Tether é a emissora do dólar digital USDT. Ela tem, por natureza do ativo, o poder de congelar saldos em endereços específicos — algo que já fez em cooperação com autoridades em casos de sanções e investigações criminais. Esse poder é inerente ao contrato inteligente do USDT e não muda com o lançamento da carteira autocustodial. Stablecoins centralizadas dependem de confiança por padrão, diferente de criptomoedas descentralizadas como Bitcoin e Monero.
Para o usuário que já usava USDT em exchanges custodiais, o risco era duplo: congelamento pelo emissor e congelamento pela plataforma — a tether.wallet remove o segundo risco. O primeiro permanece como característica estrutural de qualquer stablecoin lastreada em dólar.
A tether.wallet tem relevância prática imediata em alguns cenários. Quem usa USDT para receber pagamentos internacionais, fazer remessas ou manter dólares fora do sistema bancário brasileiro tem agora uma opção com menor fricção técnica do que carteiras como Metamask — sem abrir mão da autocustódia.
O suporte à Lightning Network torna a carteira útil também para pagamentos em Bitcoin de baixo valor, que na rede principal seriam proibitivamente caros em taxas.