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A Exodus Movement — empresa listada na NYSE American sob o ticker EXOD e conhecida pela carteira de autocustódia Exodus — encerrou o Q1 2026 com 628 BTC em tesouraria, contra 1.704 BTC no final de 2025.
A diferença: 1.076 Bitcoin vendidos entre janeiro e março, gerando US$ 73,2 milhões. O destino do dinheiro foi a aquisição da W3C Corp. e suas subsidiárias Monavate e Baanx, dois provedores de infraestrutura de cartão e pagamentos. O negócio foi fechado em 1º de maio de 2026.
A Exodus é uma das carteiras de autocustódia mais usadas no mundo. Tem interface polida, suporte a dezenas de blockchains, foco em usuário de varejo. A empresa também opera como agregador de exchanges: quando um usuário troca ETH por USDC dentro da carteira, a Exodus roteia a operação para exchanges parceiras e fica com parte do spread. Essa é a principal fonte de receita da empresa.
A Monavate e a Baanx operam em território diferente: emissão de cartões de débito e crédito com saldo em cripto, integração com redes de pagamento como Visa e Mastercard, e infraestrutura para que empresas ofereçam produtos financeiros a seus clientes. É o tipo de plataforma que permite a uma exchange ou carteira lançar seu próprio cartão sem construir a infraestrutura do zero.
A combinação faz sentido estratégico: a Exodus tem base de usuários e marca, a Monavate e Baanx têm os trilhos para levar cripto ao ponto de venda físico. A aposta é que o futuro da empresa está em conectar as duas pontas.
Para o usuário, isso pode significar um novo meio de gastar os seus bitcoins e criptomoedas com um possível futuro cartão de débito ou crédito.
O Q1 2026 foi difícil para a empresa independentemente da aquisição. A receita total foi de US$ 22,7 milhões, queda de 36,8% em relação ao Q1 2025, reflexo de volumes de trading de varejo mais baixos — o mercado como um todo contraiu no período.
O prejuízo líquido chegou a US$ 32,1 milhões, ante US$ 12,9 milhões no mesmo período do ano anterior. Desse prejuízo, US$ 36,4 milhões vieram da linha de ativos digitais, que inclui tanto a marcação a mercado quanto as perdas realizadas na venda do Bitcoin.
O lado positivo da equação: a posição de caixa e stablecoins saltou de US$ 4,9 milhões no final de 2025 para US$ 72,9 milhões em março — a liquidez necessária para integrar os ativos adquiridos.
A Exodus enquadrou a venda como decisão estratégica calculada, não como reação ao mercado. Mas o timing é relevante: 1.076 BTC vendidos no Q1 2026, um trimestre em que o Bitcoin caiu de US$ 93 mil para cerca de US$ 68 mil — o que significa que parte expressiva da venda aconteceu durante a queda, não antes dela.
Quem acompanha o debate corporativo sobre Bitcoin como ativo de tesouraria vai reconhecer a tensão: a Exodus construiu parte de sua identidade em torno da autocustódia de Bitcoin, e agora reduziu seu próprio estoque de BTC em 63% para financiar uma aposta em pagamentos com cartão. Não é contraditório por si só, empresas precisam de capital operacional, mas é uma escolha que diz algo sobre onde a liderança vê o crescimento futuro da empresa.