Breaking News



Popular News










O Mercado Pago comunicou nesta terça-feira, 31 de março, que a criptomoeda Mercado Coin será descontinuada. A partir de 17 de abril, não será mais possível comprar, vender ou receber cashback no token. O anúncio foi feito por e-mail aos usuários, sem motivo oficial.
Quem ainda tem saldo em Mercado Coin tem três caminhos até o prazo: vender os tokens na seção de criptomoedas do app do Mercado Pago, usar o saldo como crédito em compras no Mercado Livre, ou simplesmente não fazer nada. Em último caso, o valor é convertido automaticamente em reais e depositado na conta do Mercado Pago.
As demais operações de criptomoedas dentro do Mercado Pago seguem normalmente.
A Mercado Coin foi lançada em agosto de 2022 em parceria com a Ripio, exchange latino-americana que atuava como custodiante e fornecedora da infraestrutura de negociação. O token foi criado no padrão ERC-20 na rede Ethereum, com valor inicial de US$ 0,10 por token.
A proposta era que os usuários acumulassem tokens em cada compra de produtos elegíveis no Mercado Livre, que exibiam o símbolo da Mercado Coin. Esses tokens podiam ser usados em novas compras ou convertidos em reais, como uma espécie de cashback tokenizado.
O objetivo era aproximar o usuário comum do universo cripto sem exigir que ele começasse por Bitcoin ou Ethereum, e ao mesmo tempo criar um mecanismo de fidelização que incentivasse novas compras no Mercado Livre.
Na prática, nunca decolou. A Mercado Coin foi um produto discreto desde o lançamento, e não muito comentado pelo mercado. Não há números públicos sobre base de usuários ou volume transacionado. O token ficou confinado ao programa de cashback, sem expansão de utilidade e sem integração externa relevante.
O encerramento da Mercado Coin não é novidade no setor. O Nubank lançou a Nucoin em 2023 com proposta similar e também a descontinuou, reformulando o programa de fidelidade num modelo diferente.
O PicPay tentou algo parecido, abandonou e retomou em 2025. Grandes fintechs e plataformas de e-commerce testaram a tese de que um token próprio poderia servir como fidelização, e a maioria chegou à mesma conclusão: a complexidade operacional e regulatória de manter um criptoativo proprietário supera o benefício incremental sobre um programa de pontos tradicional.
O encerramento da Mercado Coin não significa retirada do mercado cripto. O grupo mantém compra e venda de criptoativos no Mercado Pago — Bitcoin, Ethereum e outras moedas — e em 2024 lançou a Meli Dólar, uma stablecoin com paridade 1:1 com o dólar americano.
A Meli Dólar representa uma aposta diferente: em vez de um token de fidelidade confinado ao ecossistema próprio, uma stablecoin em dólar tem utilidade prática para qualquer usuário que queira proteger poder de compra em reais, fazer remessas ou simplesmente manter reservas em dólar sem abrir conta no exterior. É um produto com mercado real, mas também com uma concorrência gigante no mundo cripto.