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Há uma métrica on-chain que os analistas acompanham de perto em momentos de capitulação, e ela acaba de acender um sinal que não era visto há mais de três anos.
O MVRV de 365 dias do Bitcoin — que mede o retorno médio dos holders com base no preço de aquisição versus o preço atual — caiu para -26,6%, segundo dados da Santiment.
A última vez que esse indicador esteve em território tão negativo foi na semana final de 2022, imediatamente após o colapso da FTX. Naquele momento, o Bitcoin subiu 67% nos três meses seguintes.
A comparação tem limites óbvios — a própria Santiment foi cuidadoso ao apontar que as circunstâncias são diferentes, com incerteza macroeconômica e debate polarizado sobre a acumulação agressiva da Strategy compondo o quadro atual.
Mas o princípio por trás da métrica é estrutural: quando os retornos médios de longo prazo ficam muito abaixo do que é historicamente esperado, o ativo tende a corrigir para cima.
O MVRV de 30 dias conta uma história ligeiramente diferente: está em +2,8%, levemente acima da média, o que sugere alguma pressão de venda de curto prazo antes de qualquer recuperação mais expressiva.
O relatório Week On-Chain da Glassnode desta semana, publicado em 11 de março, descreve um Bitcoin consolidando há mais de um mês dentro da faixa de US$ 62,8 mil a US$ 72,6 mil, com múltiplas tentativas frustradas de sustentar o preço acima de US$ 70 mil.
Algumas leituras do relatório merecem atenção:
O STH-SOPR de 7 dias — que mede se os compradores recentes estão vendendo com lucro ou prejuízo — está em 0,985 e opera abaixo de 1 de forma contínua desde outubro de 2025. Isso significa que quem comprou Bitcoin nos últimos meses está, em média, realizando perdas ao vender. A Glassnode classifica isso como característica típica de mercado em baixa.
Os fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, após semanas de saídas persistentes, reverteram para positivo na média móvel de sete dias na última semana — o sinal de demanda institucional mais forte desde o início da correção.
O funding de futuros perpétuos virou negativo, indicando dominância de posições vendidas. Esse nível de concentração de shorts cria condições assimétricas: se a demanda spot continuar se recuperando, uma liquidação forçada em cascata pode amplificar qualquer movimento de alta.
O Bitcoin está preso entre dois níveis de referência estruturais: o Realized Price em US$ 54,4 mil (custo médio de aquisição de todo o supply circulante) e o True Market Mean em US$ 78,4 mil (custo médio das moedas transacionadas ativamente). Historicamente, esse intervalo tende a funcionar como zona de acumulação antes de um movimento mais definido em qualquer direção.
O Fear & Greed Index, que opera em território de “Medo Extremo”, reforça o mesmo cenário: o mercado está em modo de aversão ao risco, o que historicamente corresponde a momentos de acumulação para quem tem horizonte de médio a longo prazo.
A leitura consolidada é: os dados on-chain de longo prazo apontam para subvalorização histórica, os dados de curto prazo apontam para fragilidade real. Não é uma contradição — é a descrição de um fundo em formação, com prazo incerto para resolução.