Breaking News

Popular News






Em menos de uma semana, o Tesouro dos Estados Unidos executou três rodadas de sanções contra a máquina financeira do Irã, num movimento coordenado que combina rastreamento de criptomoedas, pressão sobre refinarias chinesas e alerta formal a armadores sobre o Estreito de Ormuz.
O secretário Scott Bessent resumiu o escopo no X: “O OFAC está sancionando múltiplas carteiras vinculadas ao Irã — resultando no congelamento de US$ 344 milhões em criptomoedas. Vamos seguir o dinheiro que Teerã está tentando desesperadamente mover para fora do país e atacar todas as linhas de financiamento do regime.”
O Fox Business reportou o número total da operação em aproximadamente US$ 500 milhões em ativos de cripto apreendidos ou congelados no escopo amplo da Economic Fury — incluindo ações anteriores desta campanha, iniciada em fevereiro de 2025.
24 de abril — Frota fantasma e refinaria chinesa. O OFAC sancionou a Hengli Petrochemical, segunda maior refinaria independente da China e um dos maiores compradores de petróleo iraniano do mundo — com compras de bilhões de dólares desde pelo menos 2023, incluindo cargas supervisionadas diretamente pelo braço de vendas das Forças Armadas iranianas. Junto com a refinaria, foram sancionadas 19 embarcações da shadow fleet e 21 empresas operadoras, com bandeiras que incluem Panamá, Hong Kong, Comores, Barbados e Ilhas Cayman. As embarcações transportaram coletivamente centenas de milhões de barris de petróleo iraniano para China, UAE e Bangladesh nos últimos 18 meses.
28 de abril — Shadow banking. O OFAC designou 35 entidades e indivíduos que operam o sistema de shadow banking iraniano — a rede de empresas rahbar que permite que bancos iranianos sancionados, cortados do sistema financeiro internacional, acessem o SWIFT via contas em offshores. Desde fevereiro de 2025, o OFAC sancionou aproximadamente 1.000 entidades, embarcações e aeronaves relacionadas ao Irã nessa campanha. A ação desta semana expôs especificamente o esquema do Shahr Bank e do Bank Melli — dois dos maiores bancos iranianos — que usam dezenas de empresas de fachada em Hong Kong, Reino Unido, Filipinas e outros países para processar pagamentos de petróleo para a Guarda Revolucionária e a NIOC.
Aviso formal sobre o Ormuz. Junto à ação de 28 de abril, o OFAC publicou a FAQ 1249 — um aviso formal de que qualquer pagamento de pedágio ao governo iraniano ou à Guarda Revolucionária pelo trânsito pelo Estreito de Ormuz gera exposição a sanções americanas, tanto para pessoas e empresas americanas quanto para não-americanos. O aviso é direto: “Esses pagamentos criam risco de sanções para pessoas dos EUA e não-EUA, incluindo instituições financeiras.”
O timing do aviso não é coincidência. Como a Soberano reportou anteriormente, atores desconhecidos estão se passando por autoridades iranianas para cobrar passagem segura pelo Estreito em Bitcoin e USDT — um golpe que explorou a confusão do momento, já que o Irã havia proposto publicamente cobrar pedágios em cripto.
O aviso formal do OFAC adiciona uma camada: mesmo que o pedágio seja cobrado pelo próprio regime iraniano pagá-lo viola sanções americanas. Armadores que receberem mensagens pedindo Bitcoin ou USDT pelo Ormuz enfrentam portanto dois problemas simultâneos: o golpe dos fraudadores e o risco de sanções caso a cobrança seja real.
A escala do congelamento — US$ 344 milhões em carteiras identificadas pelo OFAC — confirma o que analistas on-chain já sabiam: o Tesouro americano tem capacidade operacional sofisticada de rastrear fluxos de criptoativos vinculados a entidades sancionadas. A combinação de ferramentas de análise de blockchain (Chainalysis, Elliptic e TRM Labs têm contratos com agências federais) com inteligência financeira convencional permite identificar endereços de carteiras vinculados a exchanges que processaram fundos de origem iraniana.
O congelamento não é uma apreensão física — é uma designação na SDN List que torna o ativo ilegal de ser movimentado por qualquer pessoa ou instituição com nexo americano. Na prática, qualquer exchange regulada que receba fundos de carteiras designadas é obrigada a congelar os ativos e reportar ao OFAC, sob pena de sanções próprias.
Para o ecossistema cripto em geral, o dado relevante é que Bitcoin e outras criptomoedas não funcionaram como veículo de evasão eficiente para o regime iraniano — exatamente pelo motivo que a Soberano analisou em matéria anterior: a transparência do ledger público torna fluxos grandes rastreáveis e bloqueáveis nos pontos de saída para fiat. O Irã tem ferramentas melhores para mover bilhões — e o OFAC tem ferramentas melhores para rastrear cripto do que a maioria dos usuários imagina.
Fontes: Fox Business e Relatórios do Tesouro Americano.