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O novo relatório anual do Internet Crime Complaint Center (IC3), braço do FBI, diz que fraudes de investimentos, especialmente envolvendo criptomoedas, se consolidaram como principal vetor de perdas financeiras no cibercrime global.
Em 2025, as perdas reportadas em fraudes ultrapassaram US$ 20,8 bilhões. Desses, mais de US$ 8,6 bilhões vieram de fraudes de investimento. Uma ordem de magnitude acima das demais categorias.
E quem mais está perdendo dinheiro são as vítimas com mais de 60 anos.
Entre todos os tipos de crime digital monitorados pelo IC3, fraude de investimento lidera com folga em perdas financeiras.
Segundo o relatório, US$ 11,3 bilhões em criptomoedas foram perdidas no ano passado em golpes e fraudes.
Ou seja, criptomoedas são parte central do modelo, segundo com os números do FBI. E o padrão dos golpes é relativamente consistente:
O contato começa em redes sociais, aplicativos de relacionamento ou mensagens diretas. O golpista constrói confiança. Depois introduz uma “oportunidade de investimento”, muitas vezes com aparência profissional. A vítima envia dinheiro, geralmente via cripto, e vê retornos fictícios na interface. Quando tenta sacar, surgem taxas, impostos ou exigências adicionais. No fim, o dinheiro é completamente perdido.
O relatório descreve esses esquemas como operações organizadas, muitas vezes baseadas no Sudeste Asiático e operadas em escala industrial, inclusive com trabalho forçado em centros de golpe.
O dado mais desconfortável do relatório está na distribuição por idade.
Pessoas com mais de 60 anos registraram US$ 7,7 bilhões em perdas — mais do que qualquer outra faixa etária, com ampla margem.
Isso não ocorre apenas porque são mais vítimas. O valor médio perdido também é maior. Enquanto jovens aparecem em volume de denúncias, os idosos concentram o impacto financeiro real.
O relatório aponta alguns fatores indiretos:
Primeiro, maior patrimônio acumulado. Segundo, menor familiaridade com ferramentas digitais e com a dinâmica de cripto. Terceiro, maior suscetibilidade a abordagens baseadas em autoridade ou relacionamento.
Mas há um fator estrutural mais importante. Esses golpes não dependem de vulnerabilidades técnicas. Eles exploram comportamento humano. Confiança, urgência e medo de perder uma oportunidade (FOMO) são os principais gatilhos para enganar as vítimas.
É comum que as pessoas culpem a própria existência das criptomoedas por esses golpes, mas o próprio relatório sugere uma resposta mais complexa.
De acordo com o estudo, cripto aparece como principal meio de transferência em fraudes porque permite liquidação rápida, irreversível e global. Em outras palavras, elas resolvem um problema operacional para o criminoso.
Antes, fraudes dependiam de transferências bancárias, cartões ou intermediários. Agora, basta uma carteira digital.
Golpes de investimento existem há décadas. O que mudou foi a eficiência. A tese de que o fenômeno nasce das criptomoedas é simplesmente falsa.
Assim como o pagamento em cripto é mais eficiente para o fraudador, também é mais eficiente para o uso legítimo. Usando uma analogia real: terroristas usam caminhonetes Toyota pela resistência e durabilidade, e isso não torna a Toyota culpada pelos crimes cometidos por esses grupos.
Como o principal vetor de ataque não é técnico, mas comportamental, a solução passa por conscientização. Mais liberdade exige mais responsabilidade. Se alguém te promete retorno consistente, fácil e guiado, desconfie.