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Na tarde de terça-feira, 7 de abril, Donald Trump confirmou que os EUA e o Irã haviam acordado um cessar-fogo de duas semanas, encerramento mediado por Paquistão, Egito e Turquia após 38 dias de conflito.
Após isso, o preço do Bitcoin subiu para cerca de US$ 71 mil. E quatro carteiras no Polymarket embolsaram US$ 663 mil apostando que isso aconteceria, ainda quando as chances estavam entre 2,9% e 10,3%.
O timing levantou suspeita imediata. O analista on-chain Lookonchain published no X nesta quarta-feira os detalhes do caso.
O que possivelmente indica insider trading é:
As quatro carteiras identificadas compraram contratos “Sim” no mercado “US x Iran ceasefire by April 7” horas antes do anúncio. Três delas foram criadas e financiadas no próprio dia 7 de abril, sem nenhuma atividade on-chain anterior. A quarta realizou sua primeira aposta na noite de segunda-feira, 6 de abril. Nenhuma delas havia operado em qualquer outro mercado do Polymarket.
Os lucros registrados no momento da publicação eram de US$ 158.287,81, US$ 125.453,56, US$ 156.074,12 e US$ 200.524,56 completando o total de US$ 640,3 mil — o equivalente a 3,2 milhões de reais. As apostas foram feitas quando as odds de um acordo antes do prazo eram baixas, ou seja, o mercado considerava o evento improvável no momento das compras.
A aposta mais cedo foi registrada no Polygonscan às 13h59 UTC de terça-feira. Trump confirmou o acordo às 22h32 UTC do mesmo dia — oito horas e meia depois.
Carteiras criadas no mesmo dia de uma aposta de alto risco, sem histórico, comprando um evento que o mercado considerava com menos de 11% de chance: é o perfil clássico do que reguladores e analistas chamam de insider trading em mercados de predição.
Não é a primeira vez. Em fevereiro deste ano, autoridades israelenses prenderam e indiciaram duas pessoas por supostamente usar informação privilegiada para apostar no Polymarket sobre ataques de Israel ao Irã em junho de 2025. Um dos detidos era militar.
Em janeiro, legisladores americanos apresentaram um projeto de lei para barrar funcionários do governo de operar em plataformas de mercados de predição, após um usuário lucrar mais de US$ 400 mil apostando na captura de Nicolás Maduro, em circunstâncias igualmente suspeitas.
O Polymarket e a Kalshi, sua principal concorrente, implementaram sistemas próprios de vigilância. A Kalshi anunciou em fevereiro uma parceria com a Solidus Labs para detectar abuso de mercado. O Polymarket não se manifestou publicamente sobre o caso até o momento.
Polymarket é frequentemente descrito como o mecanismo de descoberta de preço mais eficiente do mundo para eventos políticos — mais preciso que pesquisas eleitorais, análises de banco e comentaristas de TV. A premissa é que dinheiro real força honestidade: quem aposta com viés perde dinheiro, quem tem informação melhor ganha.
Entenda mais sobre isso e quais os problemas éticos do mercado de predição neste vídeo: