Tether contrata empresa Big Four para sua primeira auditoria completa

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A Tether anunciado nesta terça-feira, 24 de março, que contratou formalmente uma firma Big Four para realizar sua primeira auditoria financeira completa e independente. O nome da firma não foi divulgado, mas a Tether afirma que a seleção foi feita por processo competitivo.

A notícia encerra um debate que se arrasta há anos no mercado de criptomoedas. Desde que o USDT se tornou a maior stablecoin do mundo, críticos questionam a composição das reservas que lastreiam os tokens em circulação.

A Tether sempre respondeu com atestações trimestrais, relatórios produzidos pela firma BDO que confirmam os saldos em determinada data, mas que são menos rigorosos do que uma auditoria contábil completa, que examina controles internos, metodologias de avaliação, riscos e a consistência das demonstrações financeiras ao longo do tempo.

O que muda com uma auditoria completa

A diferença entre atestação e auditoria é relevante. Uma atestação verifica se os números reportados são verdadeiros num dado momento. Uma auditoria independente examina se esses números foram produzidos de forma consistente, se os controles internos são adequados para evitar erros ou fraudes, e se as demonstrações financeiras como um todo representam fielmente a situação da empresa.

Para a Tether, isso significa abrir sistemas, processos e estrutura financeira ao escrutínio externo mais rigoroso disponível no mercado financeiro tradicional. Com US$ 184 bilhões em capitalização de mercado do USDT e mais de 550 milhões de usuários globais, o processo é descrito pela empresa como a maior auditoria inaugural da história dos mercados financeiros — superando em escala as primeiras auditorias de grandes bancos e corporações multinacionais.

O CFO Simon McWilliams, contratado especificamente para preparar a empresa para essa auditoria no início de 2025, disse que “a firma foi selecionada por processo competitivo porque a organização já opera em padrão Big Four.”

O contexto regulatório que torna isso necessário

A decisão não é apenas voluntária. O avanço de regulamentações de stablecoin em diversas jurisdições — incluindo o MiCA na Europa e legislação em curso nos EUA — está criando requisitos formais de auditoria para emissores de grande escala.

A Tether, que opera majoritariamente fora dos EUA mas é amplamente usada em mercados regulados, precisará demonstrar conformidade com esses padrões para continuar tendo acesso a mercados institucionais.

Nos últimos meses, a empresa também tomou medidas preparatórias relevantes: reforçou a composição das reservas, implementou sistemas de controle e gestão de risco mais robustos e começou a mover valores mobiliários listados como parte da organização da estrutura para a auditoria.

A questão das reservas

Um detalhe do comunicado merece atenção. A Tether afirma que “reteve lucros dentro de seu ecossistema mais amplo em vez de distribuí-los”, mantendo esses recursos em “holdings proprietárias afiliadas” que fornecem “flexibilidade adicional de balanço”. A auditoria completa deverá dar visibilidade sobre exatamente o que são essas estruturas e como se relacionam com as reservas do USDT.

Esse ponto é central para o debate que sempre cercou a Tether: em que exatamente as reservas são mantidas, quão líquidas são e o que aconteceria em caso de corrida de resgates em larga escala. Uma auditoria completa Big Four não resolve essas perguntas com certeza absoluta, mas é o mecanismo mais próximo do que os mercados tradicionais têm para produzir confiança verificável.

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