GrapheneOS: Lei Felca prejudica as crianças que diz proteger

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En se recusar a implementar verificação de idade em seu sistema operacional, o GrapheneOS publicou nesta semana um segundo comunicado, desta vez com foco explícito no Brasil. A lei brasileira de verificação de idade — o ECA Digital, mais conhecido como Ley Felca — entrou em vigor este mês. A posição do projeto é a mesma de antes: não será implementada.

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O comunicado detalha o que a implementação exigiria na prática: integrar um processo obrigatório para cada usuário em que um serviço terceirizado verifica documentos de identificação do governo e confirma correspondência usando a câmera do dispositivo. Além disso, manter dados para auditoria e fornecer um token que conecte as verificações de idade realizadas por aplicativos e sites aos dados coletados.

Por que isso prejudica os menores de idade

O GrapheneOS foi além da recusa e apresentou um argumento que raramente aparece no debate público sobre a lei: a implementação vai prejudicar as crianças que diz proteger.

A lei é um desastre de privacidade e expõe menores a serem explorados ao vazar sua faixa etária para aplicativos e sites“, escreveu o projeto. O problema é que quando a verificação de idade cria um token que acompanha o usuário em diferentes plataformas, ela também cria um perfil rastreável.

Empresas e desenvolvedores de aplicativos recebem informação sobre a faixa etária do usuário, e podem usar essa informação para direcionar conteúdo, publicidade ou modificar o comportamento do produto de formas que exploram vulnerabilidades específicas de menores, não para protegê-los.

Além de saber apenas a faixa etária, a implementação disso invariavelmente vazaria exatamente a data de nascimento para aplicativos e sites sem o consentimento do usuário, quando a pessoa mudasse a sua faixa etária.

Sem citar como as pessoas contornariam o impedimento, o GrapheneOS adicionou que a lei brasileira “não vai impedir que menores encontrem pornografia, se quiserem encontrá-la”. VPNs e Tor já são usados para evadir bloqueios arbitrários de sites.

A situação do GrapheneOS no Brasil

O comunicado também revelou detalhes sobre a presença do GrapheneOS no país. O projeto não tem membros de equipe nem operações no Brasil, mas mantém duas pequenas infraestruturas: um VPS em São Paulo para o servidor DNS anycast ns1 e outro para serviços de rede e site.

O servidor de atualizações para América do Sul fica em Miami, que é mais barato, mas São Paulo é usado como ponto de rede pelo mesmo motivo geográfico.

O projeto disse que essas instâncias provavelmente não são um problema do ponto de vista regulatório, mas que podem ser removidas se necessário — com Santiago como alternativa possível, embora menos eficiente.

Em relação a dispositivos, o GrapheneOS não tem vendas diretas na América do Sul. O Brasil em particular tem impostos de importação que chegam a 100%, o que limitou a base de usuários no país. Isso deve começar a mudar com a parceria com a Motorola, que o projeto mencionou como o caminho para ampliar a presença na região sem os custos de importação.

Resposta a um crítico brasileiro

Um usuário brasileiro pressionou o GrapheneOS diretamente, com tom contundente: “Besteira. Admita que você simplesmente não se importa com os usuários brasileiros. Não é absolutamente necessário integrar um serviço terceirizado para isso. Você vai parar com a preguiça e correr para implementar assim que uma lei similar for aprovada pelo Parlamento Europeu.”

A resposta do GrapheneOS foi dividida em três pontos.

Primeiro, sobre a Europa: “é extraordinariamente improvável que uma lei similar seja aprovada pela União Europeia. E mesmo que fosse, o GrapheneOS não implementaria”.

Segundo, sobre prioridades: “o único país que aprova uma lei de verificação de idade que de fato importa para o projeto é o Canadá — e a solução para leis intoleráveis sendo aprovadas seria mover o projeto, não implementar a lei”.

Terceiro, sobre viabilidade técnica: mesmo que o GrapheneOS estivesse disposto a implementar um serviço invasivo de privacidade e forçá-lo sobre todos os usuários no Brasil, não teria como fazê-lo por conta própria. Criar e operar um serviço de verificação de identidade para documentos brasileiros — com suporte ao cliente e infraestrutura — está fora do alcance de um projeto de código aberto com equipe pequena.

A única opção realista seria pagar uma grande empresa de tecnologia brasileira pelo serviço. “Apple e Google já têm sistemas de verificação de identidade amplamente terceirizados para outras empresas. Se eles não conseguem fazer completamente por conta própria, como poderíamos?

Como a Soberano já documentou, o GrapheneOS é o sistema operacional para Android com maior foco em segurança e privacidade do mundo. É o sistema escolhido por ativistas, jornalistas e qualquer pessoa que precise de privacidade real no celular. Introduzir verificação de identidade obrigatória no nível do sistema operacional destruiria exatamente o que o projeto é.

O padrão que se repete com leis de verificação de idade é sempre o mesmo: o objetivo declarado é proteger crianças, o enquadramento é difícil de contestar publicamente, e a infraestrutura construída para verificar a idade de um usuário é a mesma que pode rastrear comportamento, bloquear conteúdo político ou identificar dissidentes. O GrapheneOS opta por não construir essa infraestrutura — e está disposto a sair do mercado brasileiro se isso for necessário.


Assista: quem está realmente por trás da Lei Felca?

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