Preço do Bitcoin sobe para US$63 mil com IPO da SpaceX e acordo com o Irã

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O Bitcoin segue em alta nesta sexta-feira (12), recuperando parte das perdas recentes após o presidente Donald Trump declarar que a guerra com o Irã chegou ao fim, como mostra a Bloomberg Línea. A maior criptomoeda do mundo opera em torno de US$ 63.600, com analistas observando que o movimento ainda é cauteloso enquanto os termos do acordo não são oficializados

Pelos dados da Yahoo Finance, o Bitcoin abriu a US$ 63.553 nesta sexta-feira, alta de 3,4% em relação à abertura de quinta. Em reais, a moeda era negociada na faixa de R$ 325 mil. O Ethereum acompanha o movimento: abriu a US$ 1.671, avanço de 3,2% sobre o dia anterior.

Para quem acompanha a soberania financeira de perto, o gatilho dessa recuperação é geopolítico, não estrutural. Tudo, de ações a prata e cripto, está ganhando valor nesta manhã depois que Trump afirmou que a guerra no Irã terminou. A ressalva, porém, é relevante: dezenas de manchetes ao longo do último mês já anunciaram que a paz estava próxima, sem que nada se concretizasse.

O peso do Estreito de Ormuz

A reabertura desse canal é a chave de toda a equação. Desde o início do conflito, em fevereiro, o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, provocou a maior interrupção de oferta da história e empurrou os preços do barril para cima. Vale lembrar que, em momentos de tensão máxima, o petróleo americano chegou a ser negociado perto de US$ 117, como mostramos no vídeo abaixo:

O alívio agora vem do caminho inverso. Na quinta-feira, os futuros do petróleo americano caíram 3,4%, fechando a US$ 88,20 o barril, enquanto o Brent recuou quase 3%, para US$ 91,45. Um Oriente Médio mais calmo reduz a pressão inflacionária que vinha alimentando apostas em juros mais altos nos Estados Unidos, justamente o mesmo temor que pressionou cripto e ouro nas últimas semanas.

Aqui entra a leitura que importa para quem pensa em diversificação jurisdicional: o Bitcoin não subiu porque algo mudou na rede ou na sua proposta. Ele subiu porque o mercado precificou a possibilidade de que a inflação importada pela guerra recue, abrindo espaço para cortes de juros e, com isso, mais apetite por ativos de risco. É um movimento de maré, não de fundamento.

O que ainda trava a alta

A cautela tem razão de ser. O acordo não foi assinado. O mercado de previsões reflete bem essa incerteza: na Polymarket, o tema “acordo de paz permanente entre EUA e Irã” já movimentou mais de US$ 293 milhões em apostas até 12 de junho. E os próprios sinais do terreno são ambíguos. Em 11 de junho, Trump anunciou um cessar-fogo adicional de 60 dias para viabilizar negociações abrangentes, mas autoridades iranianas afirmaram que nenhuma decisão final foi tomada e que violações intermitentes persistem.

Mesmo com a reabertura do estreito, o estrago de meses de conflito não se dissolve da noite para o dia. É preciso entender quando a inflação efetivamente recua e o que sobra de cicatriz na economia global antes que o mercado volte a apostar com convicção em queda de juros nos EUA.

SpaceX estreia na Nasdaq no maior IPO da história

A sexta-feira também é marcada por um evento que extrapola o mercado cripto, mas dialoga diretamente com ele. A empresa de Elon Musk estreia hoje na Nasdaq sob o ticker SPCX. A SpaceX vendeu 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, levantando US$ 75 bilhões no maior IPO já registrado e avaliando a companhia em US$ 1,77 trilhão, à frente da Tesla segundo dados da CNBC.

O contraste com os fundamentos do Bitcoin é instrutivo. A SpaceX registrou prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões no último trimestre, depois de perder US$ 4,94 bilhões em 2025, e acumulava déficit de US$ 41,3 bilhões em 31 de março. Enquanto isso, Musk afirmou que pretende colocar mais de 100 mil satélites em órbita e construir data centers de inteligência artificial no espaço. É uma aposta de altíssimo risco precificada com generosidade, exatamente o tipo de exuberância que costuma florescer quando o medo geopolítico recua e o capital volta a buscar risco

A leitura soberana

Para quem constrói patrimônio com horizonte longo, o episódio reforça uma lição conhecida. O preço do Bitcoin em qualquer dia é refém do humor macro: guerra, juros, petróleo, manchetes de Trump. A tese de soberania financeira nunca esteve na cotação diária e sim na propriedade do ativo, na autocustódia e na capacidade de operar fora da dependência de um único governo ou moeda. Um acordo de paz pode dar fôlego ao mercado nesta sexta. A razão para deter Bitcoin, no entanto, continua sendo a mesma de antes da guerra e seguirá sendo depois dela.

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