Noticias de última hora



Noticias populares








O Polymarket anunciado nesta terça-feira, 19 de maio, uma parceria com a Nasdaq Private Market para lançar contratos de mercado preditivo vinculados a empresas privadas — startups, unicórnios e companhias em estágio avançado antes do IPO.
Os novos mercados permitem que usuários apostem em eventos como rodadas de captação, mudanças de valuation e outros marcos corporativos, usando dados fornecidos pela própria Nasdaq.
É a maior expansão de produto da plataforma fora de seu foco histórico em política e macroeconomia — e chega num momento em que o Polymarket está proibido de operar legalmente no Brasil.
O Polymarket já permite apostas sobre eleições, decisões do Fed, resultados econômicos e eventos geopolíticos. O que muda agora é a entrada no mercado de capitais privados — um segmento que movimenta trilhões de dólares mas historicamente tem acesso limitado e informação escassa.
Há quase 1.600 unicórnios no mundo (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) com valuation combinado acima de US$ 5 trilhões. A maior parte desse universo é acessível apenas a investidores qualificados, e as informações sobre rodadas, valuations e planos de IPO chegam ao público com atraso ou não chegam. A ideia do Polymarket é que contratos preditivos podem criar um mecanismo de precificação mais transparente e em tempo real para esse mercado.
A Nasdaq Private Market, plataforma que facilita a negociação secundária de ações de empresas privadas, entra como fornecedora de dados e infraestrutura de mercado para os novos contratos.
O Brasil proibiu o Polymarket e toda a categoria de prediction markets políticos e eleitorais em 24 de abril, por resolução do Conselho Monetário Nacional, com vigência a partir de 4 de maio. A norma foi publicada no mesmo dia em que Lula registrava queda de 4 pontos nas apostas e Romeu Zema atingia 10% de probabilidade nas plataformas.
A proibição não impede que brasileiros acessem o Polymarket via carteiras de cripto ou VPN — como o próprio texto da resolução reconhece implicitamente, ao vedar “a oferta em território nacional” mas sem mecanismo de enforcement técnico efetivo. O que ela impede é a operação legal de plataformas locais com o mesmo modelo.
Enquanto o Brasil fecha a porta regulatória para prediction markets, o Polymarket firma parceria com uma das instituições financeiras mais tradicionais do mundo. O movimento é parte de uma estratégia deliberada de institucionalização que o setor vem executando desde que a CFTC americana recuou de sua ação contra a Kalshi em 2025.
Quem fica de fora desse mercado em expansão não é o Polymarket. É o Brasil.
Assista também: