Brasileiro cria ferramenta de IA que detecta indícios de corrupção

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Em um avanço notável para a transparência pública no Brasil, o desenvolvedor Bruno César criou uma ferramenta de inteligência artificial que conecta dezenas de bases de dados abertas para identificar padrões suspeitos de corrupção, com base em informações como o CPF de políticos e CNPJ de empresas.

A inovação, revelada em uma thread no X (veja completa abaixo), destaca supostas irregularidades financeiras que somam milhões de reais, expondo possíveis inconsistências nos gastos públicos que vão desde funcionários fantasmas até direcionamento de emendas parlamentares.

A ferramenta, construída por César – que atua como gerente geral na Sphere Labs e tem experiência em instituições como BTG Pactual –, utiliza cruzamentos de dados de fontes como o Portal da Transparência, Receita Federal, CVM, TSE e IBGE, entre outras.

Ao todo, mais de 70 bases públicas são integradas em um sistema que permite consultas rápidas e detecção de indícios de corrupção. “Se você conectar todas as bases de dados abertas do Brasil, dá para detectar corrupção com base no CPF de políticos”, afirmou César em sua publicação inicial, que rapidamente viralizou, acumulando milhões de visualizações e milhares de interações.

Um dos exemplos práticos compartilhados por César revela uma “exposição total” de R$ 89,2 milhões em irregularidades, identificadas em 11 casos críticos, altos e médios, com base em 16 fontes de dados. Destaques incluem:

  • Auto-direcionamento de emendas: R$ 47 milhões em recursos públicos supostamente direcionados de forma irregular.
  • 34 funcionários fantasmas: Cruzamento entre RAIS e servidores municipais aponta 34 pessoas empregadas simultaneamente em uma empresa privada (ABC Construções) e no serviço público de Santo André, com custo anual estimado em R$ 2,4 milhões.
  • Escola fantasma recebendo verba: R$ 800 mil alocados a uma instituição inexistente.
  • Circuito fechado de doação para o SUS: R$ 132 milhões mais R$ 150 mil em repasses suspeitos.

Esses padrões, rotulados como “críticos” com probabilidades acima de 90%, são gerados por algoritmos que analisam relações em grafos, revelando duplicidades como “RAIS Empresa x Folha Municipal = Duplo Vínculo”. A ferramenta não apenas detecta, mas quantifica o impacto financeiro, oferecendo uma visão clara de como recursos públicos podem estar sendo desviados.

A revelação gerou reações imediatas na rede. O deputado federal Kim Kataguiri (SP) manifestou interesse público, comentando: “Tenho interesse”. Outros usuários destacaram o potencial disruptivo, com memes e alertas sobre os riscos pessoais envolvidos.

O próprio César brincou: “Que fique bem claro aqui, amo muito minha vida e nunca cometeria suicídio”, aludindo aos perigos de expor corrupção no Brasil. Ele ponderou sobre tornar o projeto open source, mas alertou para a necessidade de servidores potentes para lidar com a complexidade dos dados.

Essa iniciativa ecoa um movimento maior pela soberania digital e transparência, alinhado a críticas crescentes contra o inchaço estatal e a impunidade. No contexto brasileiro, onde escândalos como o Mensalão e a Lava Jato expuseram redes de corrupção bilionárias, ferramentas como essa representam uma arma poderosa nas mãos de cidadãos e jornalistas.

De certa forma, o Estado já está acostumado a usar cruzamento de dados para detectar possíveis atividades ilícitas das pessoas e perseguir criminosos, por exemplo. Hoje, com o avanço da tecnologia, IAs e ferramentas como essa, se torna claro que até um cidadão comum será capaz de investigar o próprio governo com poucos cliques.

Em uma atualização sobre o assunto, César disse que estava modificando detalhes do produto para não ter problemas legais. Sua ideia é substituir palavras como “corrupção” e “suspeito” por um score de risco. “Com isso finalizado, vou passar por advogados para disponibilizar open-source.”

Além disso, o desenvolvedor afirmou que sua ferramenta não é sobre defender ou atacar um campo político específico, mas de resolver através da tecnologia problemas que as instituições não conseguem (ou não querem). “Transparência, dados abertos, ferramentas cívicas. Feito por quem cansou de esperar.”, disse.

Para quem busca maior autonomia frente ao Estado, inovações como essa reforçam a importância de dados abertos e IA na luta contra a opacidade pública. Resta observar se autoridades como o TCU ou CGU adotarão tecnologias semelhantes – ou se tentarão regulá-las para preservar o status quo.

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