O avanço e o problema dos pagamentos instantâneos na América Latina

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Em 2020, o Banco Central lançou o PIX. Em menos de três anos, o sistema processava mais transações mensais do que qualquer outro método de pagamento no Brasil. Hoje, o PIX alcança cerca de 76% da população brasileira e opera 24 horas por dia, sete dias por semana, com liquidação em segundos.

Outros países da América Latina avançaram em seus próprios métodos de pagamentos rápidos. O México expandiu o CoDi e o SPEI. A Colômbia desenvolveu o Transfiya. A América Latina que era associada a sistemas bancários lentos e custosos, tornou-se uma das regiões mais avançadas do mundo em infraestrutura de pagamentos instantâneos.

Para o usuário comum, transferir dinheiro entre pessoas ou pagar um comerciante virou algo tão simples quanto mandar uma mensagem. Mas há um detalhe importante que a narrativa oficial sobre “inclusão financeira” deixa de fora. Velocidade dentro do sistema bancário tradicional não é o mesmo que liberdade financeira. O PIX liquida em segundos — e registra tudo em segundos também.

O que foi resolvido e o que foi piorado

O problema histórico dos pagamentos na América Latina não era apenas velocidade. Era custo, acesso e intermediação. Uma transferência entre bancos diferentes custava taxa, demorava um dia útil e exigia que ambas as partes tivessem conta em instituições reguladas. Gratuito para pessoas físicas, o PIX resolveu o problema de custo, além da velocidade.

O problema de intermediação — a dependência de instituições que reportam ao Banco Central, ao COAF e à Receita Federal — não apenas permanece como foi amplificado. Com o PIX, a capacidade técnica de vigilância financeira é significativamente aumentada, e depende apenas de questões legais.

Pode-se dizer que a maior transparência é o preço da conveniência. Mas para quem valoriza privacidade financeira por razões legítimas, o PIX resolve uma coisa e aprofunda outra.

O que PIX, SPEI e Transfiya têm em comum

Rapidez e vigilância são duas faces da mesma moeda quando o assunto é pagamento instantâneo gerido por banco central. Os três principais sistemas da região compartilham uma arquitetura que, por necessidade regulatória, é opaca para o usuário — mas completamente transparente para o Estado.

O PIX é operado pelo Banco Central do Brasil e registra em tempo real remetente, destinatário, valor, horário e chave de identificação de cada transação. Esses dados ficam disponíveis para o Banco Central, para o COAF e para a Receita Federal mediante solicitação ou processo judicial. A partir de 2025, o Banco Central ampliou os requisitos de reporte automático de transações consideradas atípicas, reduzindo os limiares que antes limitavam o escopo da vigilância.

O SPEI mexicano tem arquitetura similar. Operado pelo Banco de México e supervisionado pela CNBV, liquida em segundos e registra todas as transações com identificação completa das partes. A diferença em relação ao PIX é apenas de adoção: enquanto o PIX atingiu 76% da população brasileira em poucos anos, o SPEI e seu derivado CoDi ainda enfrentam resistência cultural e baixa bancarização — apenas 8,3% das transações mexicanas ocorrem por meios instantâneos, segundo dados de 2025.

O Transfiya colombiano, operado pela ACH Colombia e supervisionado pela Superfinanciera, tem um detalhe técnico que merece atenção: usa blockchain para registrar as transações. Mas essa blockchain é privada e controlada pela própria ACH Colombia — não uma rede pública auditável por qualquer pessoa, mas infraestrutura proprietária cujo acesso é restrito aos participantes autorizados do sistema.

O documento técnico oficial do Transfiya detalha explicitamente a integração com ferramentas de monitoramento transacional para prevenção de fraude, com parametrização personalizável por cada entidade financeira participante.

O padrão é consistente nos três países: sistemas desenhados para incluir financeiramente populações anteriormente excluídas do sistema bancário, com liquidação instantânea, e arquitetura de dados centralizada que torna cada transação visível para o Estado emissor.

Não há nada de ilegal ou surpreendente nisso, é apenas o que se espera de infraestrutura financeira regulada. O que vale destacar é que “inclusão financeira” e “privacidade financeira” são objetivos distintos, e os sistemas públicos de pagamento instantâneo da América Latina foram desenhados para maximizar o primeiro sem qualquer consideração pelo segundo.

Além de melhorar a privacidade, cripto pode ampliar a inclusão e acesso

Não é um exagero dizer que o PIX chamou atenção do mundo, colocando o BC brasileiro na vanguarda dos métodos de pagamentos instantâneos. Críticas de lado, a infraestrutura e a massiva adoção impressionam.

Criado por brasileiros, o token digital DePix não só amplia o alcance do Pix, mas o internacionaliza e ainda melhora a privacidade de maneira significativa.

Desenvolvido por Eduardo Jatahy, especialista em compliance bancário no Brasil, o DePix é lastreado por depósitos bancários através do Pix na proporção 1:1. A stablecoin é emitida pela Eulen e opera na Liquid Network, sidechain do Bitcoin conhecida por suas confidential transactions.

A ideia é simples: o usuário envia um PIX para uma plataforma parceira e recebe DePix na sua carteira Liquid. A partir daí, o real está dentro de uma rede onde as quantias e as moedas transferidas são invisíveis para observadores externos.

CaracterísticaPixDePix
RapidezInstantâneo~2 minutos
CustoGratuito~0,1 sat/byte (praticamente gratuito)
PrivacidadeTransações ligadas a CPFTransações confidenciais
IntermediáriosBancos e Banco CentralEulen (emissora do DePix) e Federação Liquid

O Banco Central vê o PIX chegando até o ponto de conversão. O que acontece depois, dentro da Liquid, fica fora do alcance da análise de blockchain convencional. Isso não significa que a operação é ilegal — a conversão de reais em tokens é uma transação financeira como qualquer outra, sujeita às regras aplicáveis. Significa que o usuário recupera um grau de privacidade que o sistema bancário digital, por design, não oferece.

Ou seja, com uma plataforma parceira como a Soberano Pay, qualquer pessoa cadastrada, inclusive estrangeiros, podem aceitar Pix ao redor do mundo, mesmo sem contas bancárias. E o recebimento pode ser convertido em outras criptomoedas como Bitcoin ou USDT (stablecoin de dólar).

A solução melhora a privacidade das transações em reais, conversões em outras moedas, e ainda amplia e internacionaliza o uso da moeda brasileira.

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