Boris Johnson calls Bitcoin a “giant Ponzi scheme”

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Boris Johnson tem uma história sobre um vizinho da sua aldeia em Oxfordshire. Um senhor bem-intencionado, frequentador da mesma igreja, que encontrou um homem em um bar que prometeu dobrar seu dinheiro com Bitcoin. Três anos e meio depois, o vizinho perdeu £20 mil pagando “taxas” para resgatar um saldo que nunca existiu.

Aparentemente, é uma história real de fraude. O problema é que Johnson usa o episódio como evidência de que Bitcoin é um “gigantesco esquema Ponzi” e publica a conclusão no Daily Mail como se fosse uma grande análise.

A confusão é tão fundamental que mereceu uma Nota de Comunidade diretamente no post de Johnson no X: “Esquemas Ponzi têm emissores que prometem altas taxas de retorno com pouco ou nenhum risco. Bitcoin não tem emissor e seu valor é determinado puramente pelo livre mercado. O código é totalmente público e opt-in. Ninguém pode forçá-lo a rodar qualquer versão específica.”

Tweet de Boris Johnson
Tweet de Boris Johnson, publicado em 13 de março de 2026, recebe Nota da Comunidade no X.

Michael Saylor também comentou o assunto, tuitando: “Bitcoin não é um esquema Ponzi. Um Ponzi exige um operador central prometendo retornos e pagando investidores iniciais com fundos dos novos. Bitcoin não tem emissor, não tem promotor e não tem retorno garantido — apenas uma rede monetária aberta e descentralizada, movida por código e demanda de mercado.”

O que Boris viu e o que aconteceu

A história do vizinho não tem nenhum elemento que caracterize o Bitcoin. Tem um homem desconhecido prometendo ganhos irreais garantidos de 100%. Tem pagamentos de “taxas” para recuperar fundos.

Isso é uma fraude clássica de investimento, do tipo que existe há séculos, muito antes do Bitcoin, e que usa o nome de qualquer ativo popular como isca. Nos anos 1990 era fraude com ações de empresas de internet. Nos anos 2000 era imóveis. Hoje é cripto. O golpe é o mesmo; o vocabulário muda.

O vizinho de Johnson não comprou Bitcoin. Entregou dinheiro a um golpista que prometeu retorno garantido. Essas duas coisas são opostas em qualidade de risco: Bitcoin não garante nada, o preço sobe e cai como qualquer ativo de mercado, e nenhuma entidade central controla o resultado. É exatamente a ausência de garantia — e de emissor — que o distingue de um Ponzi.

Onde Johnson tem alguma razão

Seria injusto ignorar o que há de real na preocupação de Johnson. Ele observa, corretamente, que o valor do Bitcoin depende de confiança coletiva, e que essa confiança pode evaporar. Ele também aponta, com alguma precisão, que não há banco central para responsabilizar se o sistema falhar.

Esses são argumentos válidos sobre a natureza do Bitcoin, mas não são argumentos que o definem como Ponzi. Um Ponzi tem estrutura específica: retorno prometido, operador central, pagamento de juros com capital novo. Bitcoin não tem nenhum desses elementos.

Que o seu preço depende de demanda de mercado é verdade, assim como é verdade para ouro, imóveis e Pokémon cards, que Johnson elogia como exemplos de valor “real”.

A ironia do artigo está no parágrafo final: Johnson diz que uma carta de Pikachu tem “imagem e inscrição que qualquer criança reconhece” — e que isso é valor real. Ao mesmo tempo, descarta como sem valor um protocolo com código público, auditável, rodando em milhares de nós ao redor do mundo, sem ponto único de controle ou falha.

Por que isso importa além do Boris

Johnson não é analista financeiro nem desenvolvedor. Mas é ex-primeiro-ministro britânico com audiência de milhões, e o artigo foi publicado em um dos jornais de maior circulação do Reino Unido.

A confusão entre fraudes que usam o nome do Bitcoin e o protocolo Bitcoin em si é um dos vetores mais persistentes de desinformação no setor. Ela alimenta regulação mal direcionada, afasta investidores que poderiam se proteger de inflação, e oferece cobertura narrativa para quem quer restringir autocustódia e privacidade financeira sob o pretexto de proteger os idosos de Oxfordshire.

O vizinho de Johnson merece toda a solidariedade. O golpista do bar merece ser denunciado à polícia. E o Bitcoin não tem nada a ver com isso.

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