Navio é atacado após cair em golpe com Bitcoin de passagem segura pelo Estreito de Ormuz

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A empresa grega de gestão de risco marítimo MARISKS emitiu um alerta nesta segunda-feira após identificar mensagens fraudulentas sendo enviadas a armadores cujos navios estão bloqueados a oeste do Estreito de Ormuz. Atores desconhecidos, se passando por autoridades iranianas, oferecem passagem segura pelo estreito em troca de taxas pagas em Bitcoin ou Tether.

O texto das mensagens, citado pela Reuters e pela CoinDesk, é: “Após fornecer os documentos e avaliar sua elegibilidade pelos Serviços de Segurança Iranianos, poderemos determinar a taxa a ser paga em criptomoeda (BTC ou USDT). Somente então seu navio poderá transitar pelo estreito sem impedimentos no horário pré-acordado.”

A MARISKS esclareceu: “Estas mensagens específicas são um golpe.” A firma acrescentou que as comunicações não foram enviadas pelas autoridades iranianas. Teerã não comentou.

Pelo menos um navio caiu no golpe, segundo a MARISKS

O contexto torna o esquema especialmente plausível. Desde 28 de fevereiro de 2026, quando os EUA e Israel iniciaram operações militares contra o Irã, o tráfego pelo Estreito de Ormuz — pelo qual passava cerca de um quinto do petróleo e gás liquefeito do mundo — foi drasticamente reduzido. Centenas de navios e cerca de 20.000 marinheiros permanecem presos no Golfo Pérsico aguardando resolução.

O detalhe que torna o golpe ainda mais difícil de detectar: o Irã realmente propôs cobrar pedágios em cripto por trânsito seguro. Em 9 de abril, Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Produtos Petrolíferos do Irã, afirmou que as taxas seriam cobradas em Bitcoin. Parlamentares iranianos chegaram a discutir publicamente planos de pedágio no estreito desde março. Quando o fraudador se apresenta como oficial iraniano e pede Bitcoin, está explorando uma narrativa que tem base factual suficiente para parecer legítima a armadores desesperados.

A MARISKS afirmou acreditar que pelo menos uma embarcação pode ter caído no esquema. Em 18 de abril, quando o Irã reabriu brevemente o estreito mediante inspeções, ao menos dois navios — incluindo um petroleiro — que tentavam sair do estreito relataram ter sido atingidos por tiros de embarcações iranianas, sendo forçados a retornar. Segundo a firma, uma das embarcações atacadas parece ter seguido as instruções fraudulentas antes de tentar a travessia.

O Bitcoin como ferramenta de golpe em contexto de guerra

O episódio é exemplo de como criptomoedas podem ser instrumentalizadas em crises. Especialmente porque a irreversibilidade das transações e a dificuldade de rastrear destinatários sem infraestrutura forense especializada tornam a moeda prática para golpistas operando sob cobertura de caos geopolítico.

O padrão é conhecido: urgência real (navio bloqueado, tripulação presa, perdas diárias acumulando), autoridade fabricada (mensagens com jargão oficial, referências a “Serviços de Segurança Iranianos”), e veículo de pagamento irreversível. Se a vítima cometer um erro e pagar, reaver os valores se torna praticamente impossível.

Há ainda a camada de pressão adicional: o presidente Trump declarou em 12 de abril que qualquer navio que pague pedágio ao Irã seria impedido pelos EUA. Armadores estão numa posição de estrangulamento entre as duas potências, o que aumenta a disposição de buscar qualquer saída — incluindo canais não verificados.

O que a Reuters não conseguiu verificar

Vale registrar uma limitação importante da reportagem: a Reuters afirmou não ter conseguido verificar as informações de forma independente nem rastrear quais empresas receberam as mensagens. A identidade dos transmissores permanece desconhecida. O alerta da MARISKS é a fonte primária, e firmas de gestão de risco marítimo têm interesse comercial óbvio em emitir alertas de segurança, embora também tenham reputação profissional a zelar.


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